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O que investidores e redes de hotéis planejam para 2020?

5 MIN READMarch 03, 2020

O mercado de hotéis começou a virar o jogo em 2019, após anos difíceis, em que teve de lidar com uma combinação de enxugamento da demanda – resultado da desaceleração econômica – e excesso de oferta – impulsionado pela preparação para Copa do Mundo e Olimpíadas. Para 2020, as expectativas, de modo geral, são de continuidade da melhora em curso.

"O ano de 2019 foi importante para a indústria hoteleira, um período de retomada. A queda de demanda e o aumento da oferta fizeram com que a hotelaria urbana sofresse uma crise bastante profunda, que passou a arrefecer a partir do final de 2018. Em 2019, houve um crescimento importante de RevPar, que tem tudo para se sustentar ao longo de 2020", afirma Alexandre Gehlen, presidente do Conselho de Administração do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb). 

Segundo o Fohb, o Revpar, métrica fundamental de desempenho hoteleiro que calcula a receita por apartamento disponível, subiu 10,9% no País entre janeiro e dezembro de 2019, com destaque para a região Sudeste (13,9%). "As empresas administradoras estão projetando para 2020 algo como outros 8% a 10%. Se tivermos mais esse resultado, estamos de fato caminhando para a recuperação do setor", diz Gehlen. 

Ao longo de 2019, a o segmento econômico foi o que registrou maior progresso em Revpar (alta de 11,5%, alcançando 110,99) e taxa de ocupação (4,8%, chegando a um índice de 59,45%). Já a ampliação de diária média foi maior no midscale (elevação de 6,9%, subindo a R$ 251,00). 

Visão de desenvolvedor

Representando a ótica dos desenvolvedores, Marcelo Conde, CEO da STX Desenvolvimento Imobiliário, também nota um momento mais favorável recentemente. "2019 já foi um ano bom para nós. Em 2020, acreditamos que esse movimento deve continuar", afirma. "Os fundamentos econômicos, de juros e inflação baixos, são muito importantes. Nosso investidor, na maioria dos casos pessoas físicas com alto poder aquisitivo, gosta do produto, sobretudo quando é bem localizado, administrado por uma boa marca e de referência. Nosso esforço tem sido buscar esses produtos", adiciona.

Marcelo Conde (STX) | Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri
Marcelo Conde (STX) | Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri

Além de ter inaugurado um empreendimento no final de 2019, o Ibis Styles São Paulo Downtown, no centro paulistano, a STX está desenvolvendo outros dois, na mesma cidade, com perspectiva de entrega em 2022, investimentos de R$ 70 milhões cada e financiamento no modelo condo-hotel. Serão um Days Inn no bairro de Perdizes, próximo ao Allianz Parque, e um Ibis na rua dos Pinheiros, no bairro homônimo. 

A companhia estuda, adicionalmente, outros projetos na capital paulista, tanto hoteleiros quanto de uso misto, com foco em resultados de médio e longo prazos.  "Ainda não conseguimos fechar um mixed-use, mas estamos procurando e gostaríamos muito de fazer. Estamos focados principalmente nos hotéis econômicos em bons pontos", reforça Conde.

Hard Rock Hotels desembarcando no Brasil

Já Samuel Sicchierolli, cofundador e CEO da VCI SA, voltada a incorporar e desenvolver produtos premium com marcas internacionais, se declara menos otimista. "Creio que 2020 ficará muito parecido com 2019 e 2018. Não vejo uma grande expansão do setor, principalmente porque o Brasil tem a caraterística de que a grande maioria dos empreendimentos hoteleiros não tem bandeira. No universo geral, imagino que continue no ritmo dos outros anos", diz.

Apesar disso, a VCI se associou à Hard Rock Hotels e está trazendo cinco empreendimentos com a bandeira ao País, em Fortaleza, Ilha do Sol (Paraná), Natal, Recife e São Paulo. Nas duas primeiras localidades, as obras estão bastante avançadas, de acordo com o executivo, e a previsão é encerrá-las até janeiro ou fevereiro de 2021. "A inauguração full, depois do soft opening, deve ocorrer entre março e junho de 2021", antecipa. 

Samuel Sicchierolli (VCI SA) | Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri
Samuel Sicchierolli (VCI SA) | Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri

Em São Paulo, a opção foi pelo retrofit do largamente conhecido Edifício Sumitomo, na avenida Paulista, com início das obras no pós-carnaval de 2020. Apenas nesse caso, trata-se de um hotel puro. Nos demais, a opção foi pelo modelo fracionado – para o CEO, um diferencial.

"Fomos a primeira empresa que trouxe marca internacional para esse segmento [fracionado], que inicialmente era voltado não para um público classe A, mas para C e D. Para se ter uma ideia da diferença de valor de cota, estamos vendendo duas semanas por R$ 80 mil a R$ 90 mil, ao passo que há concorrentes no mercado comercializando por R$ 18 mil. Existe, portanto, um desnível muito grande nos produtos. Os nossos são todos cinco estrelas, para um público diferenciado", argumenta.

Ele completa: "Está ocorrendo uma aderência muito boa. Escolhemos bem os lugares e a marca também ajuda bastante". No entanto, considera o modelo fracionado intrinsecamente limitado. "Uma pessoa não vai comprar duas ou três cotas. Ao adquirir uma, já resolve seu problema de férias. Compartilhamento, então, é um mercado que entendemos como finito", justifica. 

Com relação ao Hard Rock Hotel de São Paulo, Sicchierolli não dá muitos detalhes; porém, conta estar trabalhando nesse projeto há mais de um ano. "Já tivemos inúmeras reuniões com a equipe dos Estados Unidos. Todo o processo, o design de interior, o concept design [design conceitual], tudo precisa ser aprovado lá. Temos um planejamento bem detalhado de como vão ser os próximos passos", descreve. 

Planos da AccorHotels

Certamente, não são apenas os Hard Rock Hotels e os Days Inn que estão chegando ao mercado hoteleiro brasileiro. A AccorHotels, por exemplo, planeja uma nova safra de inaugurações, conforme o CFO para América do Sul, Mauro Rial. "A Accor está sempre atenta a todos os movimentos do mercado e a diversas oportunidades. Prevemos um crescimento orgânico para o ano. Aqui no Brasil, estimamos a abertura de cerca de  20 novos hotéis em 2020", antecipa. 

Alexandre Gehlen (Fohb) e Mauro Rial (AccorHotels) | Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri

Alexandre Gehlen (Fohb) e Mauro Rial (AccorHotels) | Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri

Rial destaca que a rede francesa está presente em praticamente todos os estados do País e que pretende acompanhar o crescimento nacional, sem estipular um foco geográfico específico. "Mas é verdade, sim, que principalmente Sul e Sudeste estão se descolando economicamente [da média nacional] e portanto isso está trazendo, por trás, maiores desenvolvimentos hoteleiros nessas regiões", reconhece. 

Nesse rol de novidades, Gehlen, do Fohb, lembra um estudo da consultoria HotelInvest que aponta para expansão da oferta hoteleira no País em torno de 5% nos próximos anos. "Trata-se de algo como 150 mil [novos] quartos de hotéis, sendo metade deles no interior, em cidades secundárias e terciárias, e a outra metade nas primárias, ou seja, capitais brasileiras de forma geral."

As entrevista com Mauro Rial (AccorHotels), Marcelo Conde (STX), Alexandre Gehlen (Fohb) e Samuel Sicchierolli (VCI) foram realizadas pela equipe de reportagem do GRI Hub durante o 
Brazil GRI 2019

GRI Hotéis Brasil 2020

GRI Hotéis Brasil 2020

Os grandes nomes do mercado hoteleiro do País se encontram anualmente no GRI Hotéis Brasil para traçar os rumos do setor, estreitar networking, identificar oportunidades de parcerias e aprofundar conhecimentos. Em 2020, o evento acontece em 2 de abril em São Paulo. 
Saiba como será a programação e garanta sua vaga.

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