Divulgação
Português

Shoppings se reinventam em busca do novo consumidor

4 MIN READMarch 12, 2019
O avanço da tecnologia e seus impactos atingem os mais diferentes mercados da economia e, na indústria imobiliária, não é diferente. Considerado um fundamental canal de contato direto com novos perfis de consumidores, o segmento de shoppings centers é um dos que mais precisam se adaptar rapidamente aos novos tempos. 

Para responder a esse desafio, por exemplo, a Sonae Sierra firmou recentemente uma parceria com a Rappi, aplicativo de delivery lançado no Brasil em 2017. “Com as recentes mudanças no perfil do consumidor e na forma de comprar – [decorrentes] principalmente do uso de [novas] tecnologias –, os shoppings têm se reinventado para atender os clientes da forma que desejarem, no horário em que for mais conveniente e com toda a agilidade possível", contextualiza Laureane Cavalcanti, diretora executiva de Marketing e Comunicação da Sonae Sierra Brasil.

"O varejo caracteriza-se basicamente por essa relação direta com o consumidor final, e novos produtos e serviços vão surgir no esteio desse movimento tecnológico", prevê, por sua vez, Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar). 

A iniciativa entre Sonae Sierra e Rappi abrange inicialmente um empreendimento do grupo, o Parque D. Pedro Shopping, em Campinas (SP). Desde fevereiro, o app da Rappi passou a disponibilizar um botão em que os usuários podem comprar produtos comercializados no centro de compras. "O intuito é justamente oferecer mais comodidade aos clientes quando eles não puderem se deslocar ao shopping", continua a representante do grupo. 

Após a fase piloto, está prevista a inclusão de outras unidades: Shopping Metrópole, no ABC paulista, Plaza Sul, em São Paulo, Passeio das Águas Shopping, em Goiânia, Manauara Shopping, em Manaus, e Boulevard Londrina Shopping, no interior paranaense. "Tivemos excelente aceitação e já estamos no processo de expansão para outros shoppings", confirma a executiva. 

Agilidade necessária

Na avaliação do presidente do Ibevar, estamos diante de uma tendência irreversível e novos serviços devem surgir a cada dia. "Por meio das conexões mais ágeis, os dados transitam a uma velocidade ainda mais rápida, o que abre o leque para outras possibilidades. Estamos em um caminho crescente, que tem facilitado a utilização de recursos de maneira mais racional, o que cria espaço para outros negócios."
 
Nessa direção, na última sexta-feira, 01 de março, por meio de suas redes sociais, o grupo Iguatemi anunciou estar desenvolvendo soluções inovadoras por meio de metodologias ágeis e de cocriação.

"Neste mês, contando com a participação de diversas áreas da empresa e utilizando recursos de Inovação como design sprint, criação de squads (equipes multidisciplinares), Canvas, desenho de jornada e definição de metas Smart, foi possível identificar os pontos de ruptura existentes em alguns processos da companhia, priorizá-los e desenhar possíveis soluções", relata o grupo em seu LinkedIn. 

Em entrevista à GRI Magazine, em 2015, Carlos Jereissati Filho, presidente da companhia, já antecipava a postura da rede Iguatemi a respeito de transformações necessárias para atender o novo público, cada vez mais móvel, tecnológico e sem tempo. "Temos várias ideias e vamos implantá-las aos poucos, contemplando não só a tecnologia, mas a mobilidade urbana, a vida cotidiana, a interseção do nosso negócio com a cidade. Precisamos abrir espaço para o novo, aprender a conviver melhor com a cidade que temos. O desafio está em como fazer isso a nosso favor de forma inteligente", declarou à época. 

"Esse ambiente tecnológico está presente e, gradativamente, está mudando a maneira da forma com que essas empresas operam", complementa Felisoni de Angelo. 

Compartilhamento e integração

A economia colaborativa é outra expressão que chegou ao mercado de shopping centers. Nos últimos anos, espaços compartilhados destinados ao trabalho avançaram nos centros comerciais das principais cidades do País. 

Além de possibilitar a divisão de custos, "os mecanismos de coworking também propiciam um ambiente bastante interessante para o processo de inovação, que requer muitas vezes, em quase a totalidade, o compartilhamento de experiências. Por reunir pessoas de diferentes áreas e interesses no mesmo espaço, esse movimento de integração se dá de maneira muito natural", reforça Claudio Felisoni de Angelo. 

Segundo ele, projetos similares surgirão a cada dia. "Estamos ainda em um cenário bastante inicial desse processo de compartilhamento", declara. 

"Temos em alguns dos nossos shoppings o Espaço Conexão, um local que nossos visitantes podem usar para trabalhar, fazer reuniões rápidas, carregar o celular e [realizar] trabalhos de escola, entre outros. Os espaços possuem wi-fi gratuito, tomadas e mesas compartilhadas. Essa é uma tendência dos shoppings – de serem usados para diversos fins que não apenas compras – e uma oportunidade para atrairmos consumidores que não possuem apenas o intuito de comprar”, diz Laureane, executiva do Sonae Sierra. 

Outros exemplos comprovam esse cenário. Em São Paulo, em novembro de 2018, o Morumbi Shopping abriu o Espaço Colletivo + Mercado Manual, em uma área de 1.500 metros quadrados. Além de reunir trabalhos de diversos artesãos, o local oferece áreas de descanso com bancos, cadeiras de balanço, mesões coletivos e mesas que podem ser usadas para trabalho, wi-fi livre, biblioteca infantil, restaurantes, café e programação cultural diária.

Em 2017, foi inaugurado também o coworking do Américas Shopping, do grupo AD Shopping. Planejado em parceria com a Casa com Pallet, empresa dedicada a projetos sustentáveis, o espaço foi o primeiro a trazer uma abordagem voltada aos chamados consumidores-cidadãos – público formado principalmente por jovens que investem em compras sustentáveis e preocupam-se com o futuro do planeta – no Recreio dos Bandeirantes. 

“Com esse espaço, nossos clientes podem desfrutar de um ambiente com ainda mais conforto e funcionalidade, sempre ligado ao cuidado com a sustentabilidade e ao compartilhamento, conceito que já é uma realidade no mundo todo”, conta, em nota, Christian Magalhães, gerente-geral do empreendimento.

Desafios no caminho

Embora veja movimentos significativos de incorporação de tecnologia e inovação, o especialista do Ibevar aponta que ainda faltam progressos importantes para uma completa integração, como a implantação efetiva do omnichannel. "Quando uma empresa opera em diferentes canais, significa que ela é multicanal. No omnichannel, esses canais estão superpostos, ou seja, existe uma superposição de operação e isso ainda se faz pouco, tanto no Brasil como em outros países. Essa conexão dos diferentes canais de distribuição ainda não é efetiva. Na maioria dos casos, é [uma atuação] multicanal", opina. 

"Existem empresas que estão mais próximas e outras, mais distantes. Porém, a verdade é que o consumidor é um só, um indivíduo utilitarista que vai avaliar o benefício e o custo. Portanto, será necessário fazer essa adaptação para não perder o cliente. Se essa compra será na internet ou na loja física, para o consumidor, vai ser cada vez menos importante", esclarece Felisoni de Angelo. 

Um modelo de operação conectada pode ser sinalizado, por exemplo, pela associação da Multiplan com o app Onyo, anunciada em 2017. A plataforma permite aos clientes realizar seus pedidos em lojas de alimentação e efetuar o pagamento antes mesmo de chegar ao shopping, economizando tempo no horário de almoço, entre outras vantagens. Lançada inicialmente no BarraShopping, no Rio de Janeiro, hoje a aplicação está presente em outros 14 malls, segundo dados oficiais. 

O ritmo da integração entre o on e o offline também foi tema de um club meeting do GRI Club Real Estate. O encontro, realizado em dezembro de 2017, contou com a participação de Fábio Pereira, diretor de E-commerce para a América Latina da Sephora – que à época já somava mais de 1900 lojas em 29 países e vinha apostando fortemente no segmento de e-commerce no Brasil –, e Gabriel Lima, CEO da Enext e especialista em soluções para comércio eletrônico. A discussão abordou as atividades do setor de real estate frente às novas tecnologias e o novo perfil de consumidor. Diversos cases, como a estratégia adotada pela varejista Amaro, também foram analisados. 


GRI Shopping & Retail Brasil 2019



Nos dias 05 e 06 de junho, grandes players do segmento de shoppings analisam as mudanças decorrentes desse novo perfil de consumidor, oportunidades e desafios frente ao atual cenário econômico e perspectivas para o avanço dessa indústria.

O GRI Shopping & Retail Brasil acontece no Centro de Convenções do São Paulo Corporate Towers. Mais informações no site do evento
 
Related News
←  SHARE
Real Estate
GRI
X
Privacy policy and how we use cookies
We use cookies to give you the best experience on our website.
By continuing we'll assume you're on board with our privacy police
Accept and hide this message