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Crédito: leungchopan / Envato
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Mesmo com pandemia, vendas de apartamentos crescem 10% em 2020

Para 2021, CBIC estima novo crescimento de 5% a 10% neste mercado

February 24, 2021
“Trágico para todos, mas com resultados setoriais efetivamente diferentes do que imaginávamos no início da pandemia”. Foi assim que o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, definiu 2020 durante a coletiva de apresentação dos Indicadores Imobiliários Nacionais. 

Isso porque, apesar do susto inicial, no ano passado o mercado imobiliário residencial teve alta de 9,8% nas vendas e queda de 12,3% no estoque. Ao todo, foram quase 190 mil unidades comercializadas, o que equivale a pouco mais de 500 vendas por dia. Somente no 4º trimestre, recorde da série histórica iniciada em 2016, 58 mil apartamentos foram comprados no Brasil. 

“Considerando que a maior parte dos setores apresentou desempenhos comerciais negativos, este resultado é extremamente significativo”, afirma Martins. Outro especialista, o sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, ressalta dois pontos que motivaram o aumento nas vendas e a queima do estoque: queda nas taxas de juros do financiamento imobiliário e procura por casas mais confortáveis na pandemia.

Estes motivos, entretanto, não foram os únicos propulsores da baixa na oferta, que foi de 187 mil no fim de 2019 para 152 mil no fim de 2020. Também houve expressiva contribuição da queda nos lançamentos, de 17,8% no ano passado. De acordo com Martins, a disseminação do novo coronavírus instalou um ambiente de insegurança econômica que intimidou incorporadoras a lançarem novos produtos.

A confiança foi recuperada apenas no 4º trimestre, que registrou aumento de 33,2% nos lançamentos em relação ao período anterior. No mesmo intervalo, as vendas cresceram 3,9% e o estoque, 4,8%. Com isso, Celso Petrucci, vice-presidente da área de Indústria Imobiliária da CBIC, acredita em um crescimento do setor imobiliário em 2021.

“Por conta da macroeconomia, do déficit habitacional e da grande migração demográfica existente no país, entendo que o mercado imobiliário pode crescer. Considerando que as reformas avancem, a economia se recupere e as taxas de juros do financiamento imobiliário se mantenham baixas, creio em um crescimento de 5% a 10% em relação a 2020”, afirma.

Algo pode impedir o crescimento?

Os especialistas, porém, estão preocupados com os aumentos de preço e a falta de insumos, principais ameaças para o crescimento do setor. Vale lembrar que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumula alta de 9,39% nos últimos 12 meses. 

“A construção como atividade econômica certamente estará bem em 2020. Vamos contratar pessoas para construir o que vendemos e repor os estoques. Porém, temos os problemas da falta de abastecimento e da alta no preço dos materiais. Uma obra contratada em 2020 previa outro custo e, agora, resultados podem ser comprometidos”, diz Martins.

“Temos visto postergações de lançamentos por parte de incorporadoras receosas com os custos. Devemos ver outros adiamentos nos próximos dois meses, até que a situação fique mais clara”, complementa Araújo. 

Enquanto isso, Petrucci ressalta que a situação é ainda mais complicada para incorporadoras que atuam com o programa Casa Verde e Amarela. Uma vez que trabalham com margens menores e preços tabelados, essas empresas deverão se sentir mais inseguras para lançar.

Sobre este cenário, o sócio-diretor da Brain garante que já tem notado uma série de empresas, antes essencialmente dedicadas ao segmento econômico, fazendo anúncios de migração para o financiamento via SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) ou lançando novas marcas. “É um movimento que já está acontecendo e pode se intensificar”, indica.

É importante lembrar que, no 4º trimestre de 2020, o Casa Verde e Amarela, antes Minha Casa, Minha Vida, respondeu por 47,1% dos lançamentos e 48,6% das vendas. Desde 2017, quando o indicador passou a separar as estatísticas do programa habitacional das restantes, estes valores nunca haviam ficado abaixo dos 50%. Veja a porcentagem de venda por região.


Fonte: CII/CBIC; Elaboração: CBIC/SENAI

Outro fator que influencia o desempenho do segmento econômico é o financiamento habitacional. Mesmo que o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) tenha disponibilizado R$ 56,5 bilhões para habitação neste ano, contra R$ 51 bilhões em 2020, o presidente da CBIC se preocupa com a sustentabilidade dos recursos.

“No ano passado, tivemos redução de 5% nos financiamentos via FGTS e acréscimo de 58% via SBPE. Os constantes saques liberados podem dificultar o acesso à moradia, principalmente considerando que mais de 90% do déficit habitacional é composto por pessoas que ganham até três salários mínimos. Em 2020, não tivemos um crescimento paritário entre os segmentos de baixa e alta renda porque faltaram recursos para o fundo de garantia”, afirma Martins.

Intenção de compra

Se por um lado questões orçamentárias e de abastecimento ameaçam a rentabilidade dos empreendimentos, por outro existe um momento de alta na demanda por imóveis. Segundo a Brain, neste mês de fevereiro a intenção de compra registrou 41%, sendo que 10% já começaram a “visitar imóveis, stands de vendas, contactar imobiliárias ou corretores”. Veja os principais motivos abaixo.


Fonte: CII/CBIC; Elaboração: CBIC/SENAI/BRAIN


Novamente, a situação é mais difícil para as incorporadoras que atuam no segmento econômico. Segundo a pesquisa, para pessoas que ganham entre R$ 2,5 mil e R$ 4,5 mil mensais, a intenção de compra cai para 32%. “A renda está mais comprometida por conta da pandemia. Juntamente com o aumento do preço de insumos, pode haver um descompasso”, diz o sócio-diretor da Brain.

Por outro lado, considerando as pessoas com salário acima de R$ 9 mil mensais, a intenção de compra é de 44%. Este aumento na demanda por imóveis de alta renda faz com que Araújo acredite em outro bom ano para o setor imobiliário: “A tendência natural é que o mercado atinja novos recordes. A Selic em baixa tem um impacto extremamente positivo nos negócios”.

Por Daniel Caravetti

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