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Home office é inadequado à maioria das ocupações no Brasil

5 MIN READJune 17, 2020
Um estudo realizado por pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que somente 22,7% das ocupações no Brasil possam se adequar ao trabalho remoto, com maior tendência às atividades científicas e intelectuais (65%), aos cargos de diretoria e gerência (61%) e aos funcionários administrativos (41%).

Setores que lideram a quantidade de empregos no país, como serviços e comércio, têm potencial de apenas 12% para transição ao home office. Na construção civil, a mudança é ainda menos provável, de apenas 8%. Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro são os únicos com percentuais acima da média nacional, considerando todos os tipos de trabalho, 27,7% e 26,7%, respectivamente.

Além da impossibilidade de adequar funções, outros fatores pesam contra a manutenção do home office depois de superada a fase crítica da pandemia de Covid-19. Um deles é o maior stress gerado aos profissionais, conforme aponta pesquisa realizada pelo LinkedIn com 2 mil usuários da rede social.

No levantamento, 62% dos respondentes afirmaram estar mais estressados agora do que antes da pandemia. Quase sete em cada dez colaboradores disseram estar trabalhando mais horas em casa do que nos escritórios. Outros problemas comumente apontados são: sensação de solidão (39%), ausência de momentos de descontração durante o trabalho (30%) e insegurança por falta de informação sobre os colegas e sobre a própria empresa (20%).

Questões de saúde também indicam que a onda do home office não deve durar muito: 43% dos entrevistados dizem estar se exercitando menos e 33% afirmam que o sono foi afetado negativamente. A pesquisa não sondou outro problema recorrente no trabalho remoto: a mobília inadequada, como cadeiras e mesas impróprias que resultam em má postura e dores no corpo. 

Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral com 636 executivos de grandes empresas revelou que 70% não estão confortáveis com o home office. Um dos aspectos recorrentes é a dificuldade para equilibrar a vida pessoal com as demandas do trabalho. Na sondagem do LinkedIn, 34% dos profissionais disseram se distrair ouvindo notícias, 20% têm dificuldades para conciliar as tarefas e o cuidados com os filhos e 22% veem como desafiador trabalhar com o parceiro em casa.

Ainda, a segurança dos dados das empresas é comprometida com a descentralização dos funcionários, que tendem a dispor de menos recursos contra vazamentos ou invasão de informações ao utilizar equipamentos próprios e em redes não tão seguras quanto as dos escritórios.

Enquanto não é possível retornar à normalidade completa, parte dos desafios pode ser superada com a ajuda dos líderes das empresas: para 58% dos profissionais ouvidos pelo LinkedIn, a sensação de apoio é maior quanto mais informações e comunicados são repassados regularmente aos funcionários. 

Apesar dos pontos positivos do home office, como economia de tempo ao evitar deslocamentos da casa ao escritório e maior liberdade para estipular os próprios horários, o perfil dos empregos no Brasil e a falta de estrutura para o trabalho remoto são fatores que endossam o retorno aos escritórios tão logo seja possível.
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