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Quais são hoje os alvos da Brookfield para investir no Brasil

Ric Clark Ric Clark

Escritórios, varejo, industrial e residencial. Estes são os segmentos imobiliários em que a Brookfield está de olho no Brasil. Presente há um século no País, o grupo tem hoje sob gestão aqui mais de R$ 40 bilhões, sendo aproximadamente um quarto desse valor em imóveis. Recentemente, comprou sete prédios classe A em São Paulo e Rio de Janeiro e segue procurando oportunidades. Afinal, acaba de concluir a captação de um fundo de real estate de US$ 9 bilhões, valor que vai distribuir entre as regiões do mundo que oferecerem as melhores oportunidades. 

"Isso, tenho certeza, continua a incluir o Brasil", diz Ric Clark, senior managing partner e chairman do Brookfield Property Group e da Brookfield Property Partners. Às vésperas de embarcar para São Paulo a fim de participar do Brazil GRI 2016 como keynote speaker, ele falou ao GRI com exclusividade. Acompanhe:

 

GRI: A partir da sua experiência global de mais de 30 anos em real estate e, em particular, sua vivência durante a recente crise nos Estados Unidos, como avalia a atual conjuntura do setor no Brasil?

Ric Clark: O negócio de real estate requer muito capital. Num ambiente em que emerge uma crise de confiança, os recursos tendem a se tornar mais escassos, resultando em falta de liquidez. Muitos investidores estrangeiros que não tinham o histórico ou a experiência de investir no Brasil adotaram uma abordagem oportunista quando o mercado estava aquecido, mas depois reduziram seus investimentos – ou mesmo decidiram sair do País. Isso proporcionou oportunidades interessantes para empresas como a Brookfield, que têm décadas de experiência no mercado e fizeram um compromisso de longo prazo com o País. Como investidores globais bem capitalizados, podemos assumir uma visão de longo prazo em relação a mercados, o que frequentemente nos habilita a identificar oportunidades não necessariamente perceptíveis a outros. Sempre focamos em tendências de longo termo em vez de ciclos de curto prazo.

 

GRI: E quanto aos diferentes segmentos do mercado imobiliário no País, o que percebe?

RC: No que toca aos segmentos imobiliários individualmente, estamos observando oportunidades no ramo industrial. Especialmente desde a desvalorização do real, o cenário tem sido positivo para propriedades que dão suporte a indústrias voltadas à exportação. A necessidade de modernização também criou uma demanda para big box. Na nossa visão, os setores de escritórios e varejo estão sofrendo com sobreoferta neste momento. Isso, associado à escassez de capital, pode resultar em oportunidades de aquisição de ativos de alta qualidade a preços abaixo do custo de reposição. Entendemos também que, ainda que a confiança do consumidor tenha prejudicado o mercado residencial, a compra da casa própria segue como um pilar da política do governo. Continuamos a ser investidores ativos no segmento residencial focado em renda média e alta.

 

GRI: Quando devemos de fato ver uma recuperação do mercado aqui?

RC: Há um conjunto de variáveis que impactam o ritmo de recuperação, então é difícil dizer com certeza. O novo governo deu passos iniciais desenhados para trazer de volta ao mercado certo grau de confiança, especificamente com a nomeação de um time econômico respeitado e o início de uma plataforma de políticas para apoiar o crescimento econômico. Dados recentes dos negócios brasileiros sugerem sinais de recuperação, embora pequenos. Mesmo que haja ainda muitas incertezas, o forte desempenho da Bovespa neste ano reflete o crescimento da confiança. O mercado parece sugerir que vamos ver mais avanços em 2017. É importante notar, contudo, que, no nosso negócio, não tendemos a olhar para os sinais do mercado de capitais quando pensamos em oportunidades de investimento de longo prazo.

 

GRI: Na sua visão, que segmentos imobiliários devem liderar o processo de retomada?

RC: Isso vai depender muito da reação da economia – e especificamente dos negócios – à política do governo. Se as políticas introduzidas forem favoráveis (por exemplo, corte de juros) e responsáveis (como reformas fiscais), podemos esperar que a confiança dos negócios e os investimentos aumentem. Isso, por sua vez, seria positivo para os setores de escritórios e industrial. À medida que esse movimento se transfira para os consumidores na forma de emprego e/ou ganhos salariais e, se a inflação continuar a se abrandar, os mercados de varejo e residencial devem se beneficiar.

 

GRI: A participação do País no portfólio do grupo tende a aumentar no curto e médio prazo?

RC: Cremos que o Brasil é um ótimo país para se investir, desde que se saiba o que se está fazendo. Temos sido ativos no Brasil por muito tempo e estamos comprometidos com o crescimento dos nossos negócios aí. Nos mantemos bem informados sobre oportunidades de investimento conforme surjam e, à medida que nosso capital disponível aumente, pode-se esperar que façamos mais – e maiores – negócios no País. 

 

GRI: Vocês têm se deparado com boas oportunidades aqui?

RC: Sim, certamente. Por exemplo, recentemente, como mencionei há pouco, compramos um portfólio de sete prédios de escritórios classe A em São Paulo e no Rio. Temos um time de profissionais de investimento em real estate estabelecido no País constantemente buscando novas oportunidades. Nossa pipeline de negócios é muito sólida.

 

GRI: Que segmentos imobiliários e regiões atraem mais a sua atenção no Brasil hoje?

RC: Investimos grandes montantes de capital construindo plataformas de operação em quase todos os setores de real estate, incluindo escritórios, shoppings, apartamentos, hotéis, logística e self-storage, entre outros. Usamos essas plataformas para não apenas direcionar a performance, como também identificar oportunidades regionais. Continuamos ativos na maior parte das principais áreas metropolitanas, usando a mesma abordagem de investimento, independentemente de onde estejamos. Nossos focos atualmente no Brasil são os setores de escritórios, varejo, industrial e residencial.

 

Leia a entrevista completa na GRI Real Estate Magazine 7a edição aqui

 

 

Foto: Divulgação Brookfield

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