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Três grandes tendências para os escritórios, segundo CEO Brasil da Regus

4 MIN READOctober 22, 2020

Flexibilização das jornadas e proximidade de casa ditam o novo padrão no segmento corporativo

Empresas do mundo todo vivenciaram nos últimos meses a maior experiência de trabalho flexível já vista, com boa parte dos colaboradores migrando 100% das atividades para o ambiente doméstico. Para muitos, este é um dos principais legados da pandemia do novo coronavírus, já que o trabalho remoto - inicialmente emergencial - agora é visto como estratégia permanente em muitas companhias. 

Apesar desse entusiasmo, nem todas as empresas e seus colaboradores tiveram experiências positivas, uma vez que se observou, em muitos casos, queda na produtividade, problemas de conectividade e segurança, sem contar as questões motivacionais e psicológicas que prejudicaram o rendimento de profissionais que não se habituaram a trabalhar sozinhos. 

Em linha com este cenário, o CEO Brasil da Regus & Spaces, Tiago Alves, aponta três grandes tendências para o mercado corporativo no país. Antes de listarmos quais são elas, um dado interessante: a procura por soluções flexíveis de espaços de trabalho já é 30% maior, seja por diárias em coworkings, seja por escritórios menores para empresas que desejam reduzir o portfólio, de acordo com o executivo. 

Este movimento é justamente a base da primeira tendência, mundialmente conhecida como squad office, ou escritórios de equipes. “Grandes empresas estão regionalizando as equipes e colocando-as em espaços menores e mais flexíveis para reduzir custos. Semana passada, por exemplo, uma grande empresa aérea nos procurou para alugar três escritórios para vinte pessoas cada”, afirma Alves.

A segunda grande tendência é que esses escritórios de equipes estejam mais próximos das residências dos colaboradores, conceito batizado de close to home office. “As pessoas querem reduzir o tempo de deslocamento e melhorar a mobilidade. Para quem sente falta de trabalhar no escritório, ou mesmo para complementar o home office, tem que ser perto de casa. Nem faz sentido voltar ao escritório tendo que se deslocar por transporte público, por causa da aglomeração”, pontua.

A terceira tendência é o que se chama de anywhere office, isto é, escritório em qualquer lugar. “Trabalhar deixa de ser sobre o local e passa a ser sobre o que precisa ser feito. A empresa passa a comprar soluções flexíveis de escritório na nuvem ao invés do escritório fixo”, explica o CEO Brasil da Regus & Spaces.

Expansão para novas zonas comerciais

Na entrevista exclusiva concedida ao GRI Hub, Tiago Alves também comentou as estratégias do grupo pensando no período pós-pandemia, com destaque para a expansão das marcas em novas zonas comerciais: “No meio da pandemia, abrimos unidades fora dos grandes eixos, até porque as pessoas querem trabalhar mais perto de casa”, revela o executivo. 

“Neste momento, vamos buscar oportunidades de crescimento que sejam mais inteligentes, provavelmente fora dos grandes eixos comerciais. Não vai haver, provavelmente, Regus na Faria Lima ou em Botafogo, mas com certeza na Zona Oeste e Zona Leste de São Paulo, mais perto de onde as pessoas moram”, completa.
 
Outro movimento estratégico consiste no crescimento ancorado em oportunidades que estavam na mesa, isto é, espaços prontos que foram devolvidos por outras empresas. “Avaliamos toda e qualquer oportunidade de imóveis de empresas (concorrentes ou não) que fecharam as operações ou não mantiveram o caixa neste período. Mas nem toda opção é uma boa opção porque algumas dessas unidades não estão nos eixos onde queremos crescer”, analisa Alves.
 
Segundo o executivo, há várias unidades sendo avaliadas no momento, com possibilidade de fechamento de negócios nos próximos dias. Para ele, as operações da empresa devem continuar crescendo em 2020, mas em ritmo menor do que nos últimos anos, assim como o mercado de coworkings em geral. 

Haverá aumento significativo na vacância?

Para o CEO Brasil das marcas Regus & Spaces, já houve forte aumento na vacância dos escritórios, mas isso ainda não foi refletido nos indicadores. Em relação aos coworkings, os níveis de operação se aproximam daqueles registrados no período pré-pandemia, mas o impacto também foi elevado nos meses mais graves da Covid-19 no Brasil. 
 
“Os índices de vacância publicados pelas consultorias ainda não refletem a realidade. O mercado imobiliário vinha de uma crise e 2019 foi um ano melhor. Em 2020, vai haver um impacto. Se a economia como um todo vai sofrer impacto de 5% a 6% [no PIB], eu acredito que a mesma variação de vacância ocorra nos espaços corporativos”, afirma Tiago Alves.

O executivo ressalta, ainda, que os proprietários vão considerar mexer nos espaços tradicionais diante do aumento da vacância. “Os clientes não querem mais contratos de longo prazo, investimento inicial, cláusulas rígidas. Em um ano de pandemia, o IGP-M está em 17%; como se reajusta um contrato com 17% de aumento hoje?”, questiona.

Nos coworkings, a negociação dos aluguéis tem sido bem-sucedida na maior parte dos casos, segundo Alves: “Com os proprietários que são parceiros, é um trabalho que fazemos a quatro mãos, até porque a maioria dos aluguéis é variável, então é importante entender o momento”.

Em relação aos países da Europa, da Ásia e aos Estados Unidos, Alves enxerga uma vantagem para o Brasil, cuja população é mais resiliente a crises. “O Brasil vai aplicar mais uma vez a fórmula mágica para momentos como esse: economizar caixa, cortar custos, crescer de forma controlada e rever a mão de obra. Temos, inclusive, a oportunidade de ensinar para outros países como superar este momento”, finaliza Tiago Alves.
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