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Tecnologia faz empresas do setor imobiliário se reinventarem

4 MIN READMay 20, 2019

A tecnologia tem impactado intensamente a gestão e a expansão dos negócios imobiliários e os investimentos nessa frente já respondem por parcela significativa do orçamento das empresas do setor. Nesse contexto e imersas na ascendente economia do compartilhamento, algumas companhias vêm optando por se reinventar por completo.

O CEO da Vitacon, Alexandre Frankel, adotou como mantra a transformação da incorporadora de um negócio de brics (tijolos) em bytes e promete 'matar' o business original para dar lugar a um totalmente novo. Defensor dos conceitos de moradia fluida – segundo o qual os indivíduos vão trocando de residência ao longo da vida, conforme sua fase e seus interesses – e de living as a service – em que se paga para usufruir do serviço em vez de ter a propriedade –, ele vê na tecnologia a chave para um grande salto.

"Acredito que a moradia vai fazer essa transição. O modelo multifamily [residencial para renda] tradicional já existe, mas, com a camada de tecnologia, vai muito além", afirmou Frankel em painel do Smartus Proptech Summit, que teve como tema 'A tecnologia como elemento catalisador da economia colaborativa no setor imobiliário'. O evento foi promovido pela Smartus, empresa do GRI Group, em 16 de maio, e o painel em questão teve participação também de Tiago Alves, COO da Regus para América Latina e CEO no Brasil, e Gustavo Favaron, CEO do GRI Group.
 

Parceria com outras plataformas


Como parte da estratégia de revolução do próprio negócio, Alexandre Frankel vem implementando na Housi, plataforma da Vitacon voltada a locação e administração de unidades – que envolve imóveis tanto próprios quanto de investidores e terceiros, em períodos curtos ou longos (short ou long stay) –, a associação a parceiros de diversos outros setores. Atualmente, são aproximadamente 20 startups colaboradoras, que proveem serviços dentro da plataforma do grupo, de maneira integrada.

Uma delas é a Singu, uma espécie de Uber do ramo da beleza, em que se pode contratar serviços de prestadores independentes via aplicativo. De acordo com Frankel, a maioria dos prédios da Vitacon já prevê autorização para o recebimento desses profissionais e espaço para atuarem, e existe um compartilhamento de parte da receita. Outro exemplo é o Rappi. O sistema de pagamento Rappi Pay é empregado para saldar compras em sistema grab and go (retirada) dentro dos prédios.

Frankel compara o novo papel dos imóveis ao dos smartphones: passam a ser o hardware que usa software provido por startups parceiras, num ecossistema inimaginável há poucos anos. "Hoje, grande parte da receita da Vitacon já advém de serviços e outros modelos que não a venda de apartamentos. Em breve, essa fatia vai ultrapassar a das vendas. Nosso modelo vai mudar completamente. Estamos transformando o mindset da companhia", diz.


Alexandre Frankel, CEO da Vitacon | Crédito: Smartus-GRI Group/Flávio Guarnieri


Vale ressaltar que a parceria da Vitacon com startups também se estende à seara do financiamento dos empreendimentos. "Queremos usar fintechs para mudar a estrutura de funding e de vendas de produtos imobiliários, sobretudo residenciais", aponta o CEO.

Investimentos em tecnologia


Para sustentar essa nova lógica, cerca de 30% do orçamento da Vitacon são atualmente destinados à tecnologia, proporção que deve subir. Entre os frutos desse aporte, estão a já ampla coleta de dados, o que coloca o desafio de uso eficiente, ajudando a impulsionar o negócio em múltiplas frentes, e com ganhos de escala.

O grupo IWG – detentor de marcas como Regus e Spaces – também tem apostado na tecnologia como driver de crescimento. "Nossa empresa investe, globalmente, 11% do faturamento em desenvolvimento de sistemas e novas tecnologias que visam melhorar o ambiente de trabalho", afirma Tiago Alves.

Ele destaca que caminhamos para um cenário em que a escalabilidade virá por meio de plataformas digitais e reporta avanços dentro de seu próprio grupo, como uma unidade Regus 100% digital.

A fim de alavancar progressos ainda maiores no cenário brasileiro, Gustavo Favaron advogou a criação de um espaço colaborativo para proptechs, ou seja, startups relacionadas ao setor imobiliário, no País. A ideia desse novo hub, como já existe no exterior, foi abraçada pelos demais participantes do painel do fórum.

 

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