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Setor financeiro se diz preparado para retomada imobiliária

5 MIN READJuly 08, 2019

A redução dos juros a financiamentos imobiliários anunciada pela Caixa Econômica Federal em junho foi recebida com otimismo por players do mercado financeiro. Eles se dizem preparados para atender o aumento da demanda por crédito à habitação, a partir da retomada econômica e do mercado. A visão foi captada pelo GRI Hub durante o GRI Residencial Brasil 2019

No início de junho, a Caixa informou mudança tanto para empréstimos concedidos por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) quanto pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). No caso do SFH, a taxa teve queda de 0,25 ponto percentual, passando de 8,75% ao ano mais Taxa Referencial (TR) para 8,5% mais TR. Já no SBPE, para chegar a 8,5% + TR, a diminuição foi de até 1,25 ponto percentual. 

Os dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam que os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do SBPE atingiram R$ 5,77 bilhões em abril de 2019, alta de 2,2% em relação ao mês anterior e de 40,3% comparativamente a abril de 2018.

"Ao analisarmos todo o cenário, mesmo antes do anúncio da Caixa, já tínhamos um horizonte positivo. [O registro de] 40% de crescimento nos coloca em um patamar importante. A entrada da Caixa com taxas competitivas deve fazer com que o mercado se expanda ainda mais", avalia Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Abecip.

No primeiro quadrimestre deste ano, foram aplicados R$ 21,4 bilhões na aquisição e na construção de imóveis com recursos do SBPE, elevação de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses (maio de 2018 a abril de 2019), os empréstimos de R$ 63,5 bilhões para aquisição e construção de imóveis com recursos do SBPE asseguraram alta de 40,2% em relação ao apurado nos 12 meses anteriores.

Antecipação

Para Duarte de Abreu Filho, mais do que os próprios desenvolvedores imobiliários, os bancos já estão preparados para o reaquecimento do mercado. "O setor financeiro busca se antecipar, mesmo que as incorporadoras ainda não tenham percebido [esse movimento] ou ainda tenham receio [de novos investimentos]. Claramente, o setor bancário já está um passo à frente, abrindo a carteira para fomentar a indústria", avalia.
 
Paulo Duailibi, head imobiliário do banco Santander, confirma esse posicionamento. "Já temos uma estratégia de precificação adequada. Estamos preparados para a retomada do mercado."

Outro fator fundamental para o tom positivo é a perspectiva de aprovação das reformas, principalmente a da Previdência – atualmente em discussão no Congresso. "Com o avanço e a aprovação das reformas, o mercado irá retomar o otimismo, tanto em lançamentos como em vendas. Se analisarmos o período [atual], comparado a anos anteriores, já está bom", afirma Duailibi.

"O crescimento do mercado imobiliário está associado a alguns fatores, incluindo juros baixos – o que está ocorrendo –, otimismo, expectativa da reforma da Previdência, geração de emprego e crescimento de renda", complementa Duarte de Abreu Filho. 

Taxas competitivas

Ainda que o executivo do Santander tenha dito que o banco já está atuando com uma precificação adequada, no início de julho, a entidade bancária lançou uma campanha com a redução da taxa do crédito imobiliário, passando de 8,99% para 7,99% a.a. + TR, em prazo de até 35 anos. Em vigor por um período de 60 dias, a contar do anúncio, as novas condições são válidas para todos os consumidores nas modalidades Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) e SFH. 

"É importante destacar que os preços que o mercado está praticando já são os mesmos do melhor momento do mercado, em 2014, quando as taxas estavam em 8,5% a 8,9% [a.a.] mais TR. Esse já é um valor muito competitivo e seria suficiente, se fosse o único elemento para garantir que o mercado estivesse em um patamar similar ao daquela época", esclareceu Gilberto Duarte de Abreu Filho, por parte da Abecip. 

Outros estímulos

A possibilidade de o Banco Central trazer um novo indexador do crédito imobiliário – um substituto à TR – também foi recebida com animação. "Esse é um movimento muito importante que a Caixa se propôs a capitanear. Quando olhamos o mercado imobiliário hoje, observamos que ele é todo operado por TR. A grande dificuldade é que os recursos emprestados só têm um funding possível, a poupança. À medida que migremos para outros indexadores, como IPCA, pode-se acessar mercado de capitais, securitização, e a própria emissão no exterior passa a ser viável, entre outros [pontos]. Passa-se a ter acesso a um volume maior de dinheiro, e isso facilita a injeção de recursos para o mercado", continua o titular da Abecip.

Por sua vez, Duailibi alerta para o fato de o IPCA trazer um risco incorporado ao comprador, devido à sua volatilidade. "Falamos de um período de 25 a 30 anos, e o que vai ocorrer nesse prazo, a exemplo de uma subida de juros, pode causar um desbalanceamento", afirma. Por outro lado, ele acredita que tanto o índice nacional de preços quanto uma taxa pré-fixada seriam boas alternativas à poupança.

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