Carlos Calheiros, CFO da Tegra
Crédito: Tegra/divulgação
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Otimismo cauteloso: Tegra amplia lançamentos em 11% em 2020

Serão R$ 2 bi em VGV, segundo o CFO Carlos Calheiros. Para a divisão de loteamentos (Tamboré Urbanismo), até R$ 300 mi.
4 MIN READFebruary 26, 2020

Carlos Calheiros, CFO da Tegra Incorporadora, se declara um otimista cauteloso quanto aos rumos do mercado imobiliário. Essa postura condiz com a disposição da companhia para ampliar lançamentos agora em 2020, porém de maneira comedida. Serão R$ 2 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), versus R$ 1,8 bilhão em 2019. No negócio de loteamentos, que leva a marca Tamboré Urbanismo, a estimativa gira em torno de R$ 200 milhões e R$ 300 milhões.

A Tegra é uma empresa de desenvolvimento imobiliário residencial, comercial e desenvolvimento urbano da Brookfield Asset Management no Brasil, com forte atuação nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Nesta entrevista, concedida durante o Brazil GRI 2019 – principal evento dos líderes imobiliários no País, realizado no final do ano –, Calheiros também relata que a Tegra está analisando entrar no segmento de residenciais para renda no País. Acompanhe:

Que panorama enxerga para o setor em 2020?
Vemos perspectivas muito positivas, mesmo que ainda exista cautela. O cenário é de juros baixos, um indutor de negócios natural do nosso mercado. O maior driver de crescimento do nosso ramo tipicamente são os juros, até porque, com juros baixos, tem-se um índice de confiança de consumo maior e uma recuperação de empregos, o que também é um fator de consumo. Em resumo, as boas notícias do setor são juros baixos e uma demanda reprimida muito grande, pois viemos de uma recessão forte, em que a decisão de consumo foi postergada pela maior parte dos clientes. Além disso, há uma situação muito boa de inflação e o nível de desemprego teoricamente não pressionaria os custos de construção no curto prazo. Os últimos anos, que foram muito ruins, abriram espaço para uma evolução mais sustentável nos próximos.

E que elementos principais inspiram a cautela que mencionou?
Já faz algum tempo que esperamos uma expansão do PIB mais acelerada, e ela não vem. A indefinição sobre a reforma da Previdência acabou e sabemos qual é sua potência fiscal, mas essa não é a única reforma fundamental ao crescimento da economia nacional. Precisamos ver outras. 

Como ficam os planos da Tegra para 2020?
Vimos numa recuperação de lançamentos desde o momento em que entrou a nova gestão [da companhia], em 2015. Naquele ano, não foram feitos lançamentos. A partir de então, temos subido o patamar. Em 2019, o total foi de R$ 1,8 bilhão. Em 2020, vamos lançar R$ 2 bilhões em VGV. Não é um salto muito grande, mas já reflete nosso entendimento de uma demanda maior e um mercado mais aquecido. Claro que nada impede que, se o mercado performar melhor do que imaginamos, ataquemos. 

Os lançamentos vão manter o atual foco geográfico e de tipo de produto?
Hoje, só lançamos residencial de médio e alto padrão na região metropolitana de São Paulo, em Campinas e na capital do Rio de Janeiro. Não fazemos Minha Casa Minha Vida. Cerca de 80% dos lançamentos se concentram em São Paulo e Campinas. O Rio é um mercado que ainda sofre bastante e necessitamos ser muito cautelosos e estratégicos. O bolso do consumidor carioca foi, em média, mais afetado do que o do restante do Brasil e sabemos disso.

A Tegra considera começar a atuar no segmento de residenciais para renda?
Sim. Creio que o patamar de juros é o que viabilizou essas discussões. Olhamos para isso e entendemos que é preciso um investidor estratégico junto com a incorporadora, não necessariamente algo que ela faça sozinha, pois demanda funding de longuíssimo prazo. A Cyrela anunciou recentemente que está realizando esse movimento com um fundo de pensão do Canadá [o Canada Pension Plan Investment Board, CPPIB]. Com um acionista correto – e no nosso caso temos a Brookfield por trás – e um prazo extenso para fazer esse tipo de atuação, me parece muito inteligente, sim, até para trazer uma receita recorrente para a incorporadora. A incorporadora vive de lançamentos e isso a obriga a lançar até em momentos de crise. Diversificar um pouquinho a fonte de receita é interessante inclusive para a perenização e a sustentabilidade do negócio.

Vocês podem vir a dar seus primeiros passos nesse sentido já em 2020?
Não. Acho ainda muito cedo, mas considero uma conjunção de fatores. Se o Brasil continuar com a taxa de juros baixa – não somente no spot, e sim na curva, ou seja, com projeção da taxa de juros baixa –, essas conversas vão se viabilizar muito rapidamente. Então, nada impede que, ao longo 2020, consigamos já ter uma estratégia para isso. Hoje, ainda está em análise.

O que podemos esperar quanto à unidade de negócios da Tegra para atuação em loteamentos, com a marca Tamboré Urbanismo?
Tamboré é uma marca fortíssima, uma das maiores do setor de loteamentos e desenvolvimento urbano. Estamos sendo bastante cautelosos na relargada desse momento da Tamboré, [agora] sob a gestão da Tegra. É um segmento que foi também machucado pela crise e sofreu muito com distratos. Contudo, avaliamos com os melhores olhos, uma vez que a atuação que temos com a Tamboré – em grandes capitais, com IDHs [índices de desenvolvimento humano] altos, necessidade de urbanização clara e terrenos bons para fazê-lo – abre uma oportunidade enorme para o futuro. É óbvio que a economia nacional tem de ajudar, mas estaremos prontos para aumentar nosso nível de lançamentos conforme a resposta de mercado.

Qual a expectativa de lançamentos da Tamboré em 2020?
Vamos lançar em torno de R$ 200 milhões a 300 milhões em VGV total. Nesse setor, é muito difícil antecipar lançamentos porque tipicamente se faz a permuta e o trâmite de aprovação é muito mais longo do que no desenvolvimento vertical, mas nada impede que ataquemos alguns projetos que já estejam em processo de aprovação se houver necessidade. De modo geral, gostamos de fazer a permuta desde o início, conduzir o processo de aprovação e realizar o projeto integralmente na Tamboré para ter a nossa 'cara'. 

Os loteamentos tendem a ganhar maior participação nos negócios do grupo com o tempo?
Sim. É difícil prever, pois há muitas variáveis envolvidas, mas entendemos que é um negócio que pode voar por conta própria. Hoje é tocado sob a batuta da Tegra; porém, isso não quer dizer que lá na frente não passe a ser um negócio individualizado no grupo.


Entrevista concedida à editora Giovanna Carnio

 

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