Gustavo Favaron, CEO do GRI Group
Crédito: GRI Club
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O resultado para o setor imobiliário de um ano de Jair Bolsonaro no poder

4 MIN READNovember 29, 2019
Por Gustavo Favaron*

É fato que o mercado imobiliário passou por anos difíceis recentemente no Brasil. Isso se explica tanto pela própria dinâmica do setor, que historicamente se comporta em ciclos, quanto pela combinação de retração da economia e explosão do desemprego, que levaram os brasileiros a adiar decisões de compra de bens de alto valor e os empresários a adotar uma postura mais cautelosa nos investimentos. A boa notícia é que esse cenário parece estar, finalmente, ficando para trás.
 
Acompanho o humor do mercado há mais de uma década, em relacionamento direto com investidores nacionais e estrangeiros, e observei de perto o sobe-e-desce das expectativas ao longo dos últimos 12 meses – da lua-de-mel logo depois da eleição do presidente Jair Bolsonaro e no início do seu mandato, passando por decepções com o ritmo da agenda reformista e da recuperação econômica, e agora com a sedimentação do entendimento de que os negócios, pouco a pouco, vão voltando aos trilhos. Essa retomada de um horizonte promissor é essencial para os negócios imobiliários crescerem de maneira continuada e sustentada, pois sinaliza uma demanda mais firme e abre caminho para a efetivação de investimentos em novos projetos, lançamentos de empreendimentos e atração de mais capital com visão de longo prazo. 
 
No GRI Club, realizamos a cada trimestre a pesquisa Termômetro do GRI, que ouve os principais executivos e empresários do mercado imobiliário. Logo agora que o governo Bolsonaro completa um ano, os dados mostram que, na comparação com o período imediato à eleição, houve melhora significativa em diversos indicadores, ainda que o pico do otimismo com a gestão federal e seus impactos, registrado no primeiro trimestre de 2019, tenha ficado para trás. A impressão que fica, das conversas que mantenho com os comandantes das principais empresas do mercado, é de que a gestão dos negócios vem buscando se descolar das oscilações na esfera política e se calcar fundamentalmente nos graduais progressos micro e macroeconômicos.
 
Hoje, 71% dos consultados pela nossa pesquisa dizem que suas companhias estão investindo e/ou ampliando negócios no País, um excelente sinal diante do momento que vivemos. Outro aspecto positivo é que, agora, 82% acreditam em melhora do desempenho do setor nos próximos 12 meses, bem mais do que os 69% que tinham a mesma opinião no final de 2018. Mantidas essas tendências, 2020 promete ser o ano mais favorável da nossa história recente.

O melhor de tudo, porém, é perceber que o crescente bom humor já se comprova na prática. Por exemplo, os Indicadores de Registro Imobiliário, produzidos pela Fipe em parceria com as Associações dos Registradores Imobiliários, revelam que, só no estado de São Paulo, principal pólo imobiliário do País, foram registradas mais de 919 mil transferências imobiliárias entre julho de 2018 e junho de 2019, sendo 613 mil relativas a compra e venda. Para se ter uma ideia, no ano passado inteiro, esse número não passou de 908 mil e, em 2017, de 848 mil. Ou seja, o mercado está, sim, se movimentando mais intensamente e concretizando transações, o que significa mais negócios, investimentos, moradias, espaços corporativos e desenvolvimento sócio-econômico.

Comparando com outros países emergentes, podemos ver que o Brasil, que já despontava, também conforme nossas pesquisas, como o preferido da América Latina na ótica dos investidores imobiliários, tem tudo para se consolidar nessa posição e canalizar cada vez mais investimentos – sobretudo diante da crescente instabilidade vivida pela região.
 
Vale destacar ainda que o otimismo do setor imobiliário aqui no Brasil, durante 2019 todo, vem se mostrando mais acentuado do que na maior parte dos mais de 20 países em que nosso grupo atua. Esse é o sentimento que vou levar ao encontro dos principais líderes do mercado imobiliário global que organizamos a cada começo de ano na Suíça. É hora de juntar esforços, locais e internacionais, para que a retomada do mercado imobiliário brasileiro seja sólida e consistente, e para que o setor continue desempenhando seu papel vital para a economia brasileira e o bem-estar da população.

*Gustavo Favaron é CEO e managing partner do GRI Group
 
Nota da redação: artigo publicado pelo Estadão em 28 de novembro.
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