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Flavio Guarnieri

Nigri (Tecnisa): 'Estamos otimistas com o governo Bolsonaro'

Empresário fala de blockchain, coworking, coliving, distratos, riscos de sobreoferta e planos de lançamentos da Tecnisa.
4 MIN READ October 26, 2018

Os Nigri, da Tecnisa, foram uma das primeiras famílias do meio empresarial a se posicionarem a favor do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. Nesta véspera de segundo turno, quando todas as pesquisas de intenção de voto apontam para sua vitória, Joseph Meyer Nigri explica os motivos da decisão de apoiá-lo e diz o que espera de seu provável governo.

Joseph, que sucedeu seu pai, Meyer Joseph Nigri, como presidente da companhia e ocupa o cargo desde setembro do ano passado, também fala sobre outros temas polêmicos. Diz ver risco de oferta de apartamentos compactos em São Paulo e considera que o fenômeno dos distratos já preocupa muito menos do que meses atrás.

Em 24 de outubro, Joseph Nigri participou de um club meeting organizado pelo GRI Club Real Estate e pelo GRI Tech Club para tratar de impactos e implicações de blockchain e criptomoedas para o setor imobiliário, e abordou também esse assunto na seguinte entrevista:

Que potencial enxerga para o blockchain no setor imobiliário e, em particular, na Tecnisa?
No blockchain, visualizamos um futuro bastante promissor e diferente. Acreditamos que vai haver algumas disrupções. Isso, no entanto, ainda não virou realidade, não decolou, pois depende muito de regulamentação. Continuamos acompanhando de perto para, quando for possível, implementar. É viável pensar em várias coisas, principalmente três: tokenização de ativos, dando-se liquidez e transferindo [a propriedade] de forma mais rápida e fácil, sem ter que passar por cartórios e sem uma série de dificuldades que hoje existem; direito de uso, que também se pode tokenizar; e financiamento imobiliário, focando a parte do repasse, que hoje é um processo super burocrático, cheio de papeladas, e pode mudar muito.

Na sua visão, quando teremos a necessária regulamentação?
Não vai haver outro caminho a não ser regulamentar. Vários países do mundo, até menos desenvolvidos do que o Brasil, já estão regulamentando ou regulamentados. O blockchain veio para ficar. A CVM [Comissão de Valores Mobiliários] sabe disso, acompanha e não é contra. Não sei quanto tempo isso vai levar. Vão existir resistências, mas serão vencidas. Não vejo o Brasil ficando para trás nisso. Até a Uganda já regulamentou.

A Tecnisa foi pioneira na aceitação de bitcoins como forma de pagamento de apartamentos, a partir de 2014. Contudo, os números de consultas e especialmente transações registrados pela companhia até janeiro deste ano ainda eram pequenos, como revelou matéria sobre o tema publicada pela GRI Magazine. De lá para cá, houve evolução?
Criptomoedas não são nossa prioridade. Não lidamos com moedas, não somos bancos, nada disso. No entanto, como vendemos, recebemos dinheiro. Se o comprador quiser pagar em real, dólar, euro, bitcoins ou de qualquer outra maneira, estamos preparados para receber. Se ocorrer alguma grande evolução no mercado de criptomoedas, estaremos prontos para nos adaptar. Contudo, os números de pessoas que usam bitcoins ainda são tímidos. Para nós, é muito mais uma questão de marketing, de estar presente, aparecer e nos fazer disponíveis. Nosso foco, quando falamos em blockchain, não é criptomoeda, e sim tokenização de ativos. Isso é o que entendemos agora. Em 2014, olhávamos, sim, para criptomoedas; porém, percebemos que, por mais que elas venham a se desenvolver mais, são uma forma de pagamento, não o que vai mudar nosso business. Já a tokenização de ativos pode mudar o business.

De modo geral, os empresários do setor imobiliário começaram o ano animados, acreditando numa retomada, como inclusive apurou o Termômetro do GRI, e vimos esse humor mudar ao longo dos meses. Para a Tecnisa, como foi 2018?
Está sendo um ano difícil e provavelmente continuará assim até o final. No começo de 2018, não estávamos tão otimistas como a maioria, tanto que optamos por não fazer nenhum lançamento no ano. Talvez façamos algum até dezembro, dependendo de como o cenário se comportar. Agora, estamos mais otimistas, principalmente pela renovação política pela qual o País está passando. Acreditamos que o Brasil vai voltar a crescer, que as pessoas vão voltar a investir no País, gerando emprego e mercado, mas não que haverá um boom. Muito pelo contrário, cremos que o mercado vai continuar difícil e não vai ter espaço para tanto lançamento como vejo players se programando para fazer. Nosso maior risco é superoferta. Será necessária muita cautela com relação a produto. Vejo o mercado lançando praticamente o mesmo produto: [apartamento] compacto, estúdio, um e dois dormitórios.

Algum segmento oferece boas oportunidades?
Olhando para São Paulo, acreditamos que o [residencial] de quatro dormitórios deve voltar, pois há muito tempo não se lança ou se lança muito pouco. A absorção tem sido positiva e os estoques estão diminuindo.

O que pode adiantar sobre os planos da Tecnisa para 2019?
Vamos lançar, mas com o pé no chão, apenas se houver segurança de que o empreendimento é 'redondo' e vai performar bem. Não tem esse negócio de lançar por lançar. Não precisamos mostrar nenhum guidance para o mercado. Estamos passando 2018 com zero de lançamento e não estamos com vergonha, muito pelo contrário. Estamos seguindo nossa estratégia. Por outro lado, a empresa também precisa lançar para girar, gerar receita e justificar sua existência.

Qual será o foco desses novos lançamentos? Imóveis comerciais entram no horizonte?
É arriscado falar isso, mas, provavelmente, nunca mais vou fazer salas comerciais na minha vida porque, depois dos coworkings, não há como competir. Além disso, o que existe de sala comercial já é muito. Esse não é um produto que esteja no nosso cardápio. Por outro lado, há o produto [residencial] mais econômico, de dois ou três dormitórios, para uma faixa de renda mais baixa, na região mais periférica de São Paulo ou na Grande São Paulo. Fizemos alguns negócios na Grande São Paulo que foram muito bons. Essa demanda vai existir. É um produto que temos dentro do nosso landbank e queremos continuar explorando.

Temos visto um movimento de grandes incorporadoras se voltando mais intensamente para Minha Casa Minha Vida. A Cyrela, por exemplo, lançou recentemente uma nova marca, a Vivaz, com esse fim. Como vocês encaram esse tipo de estratégia?
Já fizemos Minha Casa Minha vida; entretanto, não é nosso carro-chefe nem queremos que seja. O risco de se depender de um único banco [Caixa Econômica Federal], e sendo ele altamente influenciado por política, é alto. De todo modo, temos alguns projetos ainda na faixa 3 [famílias com renda bruta de até R$ 7 mil]. Só que nosso Minha Casa Minha Vida não é aquele em que se fazem 5 mil casas em um terreno de 300 mil m² a 30 km de São Paulo. Queremos fazer um produto mais verticalizado, às vezes até mesmo dentro da cidade, com até 18 andares, alvenaria estrutural, vaga na garagem e para vender a alguém que mora na Zona Leste e trabalha no Centro.

Você citou o fenômeno dos coworkings. Como a Tecnisa vê tendências como essa e outras voltadas ao compartilhamento no mercado residencial, como coliving, student housing e senior living?
Observamos tudo. O que mais fazemos é observar. Coliving é algo que consideramos um pouco difícil culturalmente. Pode existir, mas não sei se vai ser efetivamente uma tendência, pois as pessoas querem privacidade. Compartilhar áreas é legal, mas compartilhar apartamento já acho mais complicado. Student living me parece um negócio interessante; porém, aquele em que mais acredito é o senior living. Isso, mais cedo ou mais tarde, vai estourar porque a população está envelhecendo, as pessoas estão cada vez mais buscando alternativas e querem viver com um conceito de envelhecimento ativo. O idoso mais recente e o que vai ser daqui a dez anos vão querer viver de modo diferente, e não há em São Paulo um produto imobiliário para esse público. Existem casas de repouso, asilos, mas não um produto que seja aspiracional. Viajamos para os Estados Unidos, a França, Israel, entramos nos lugares e dizemos: 'Quando eu envelhecer, quero morar aqui” porque é como se fosse um hotel 5 estrelas, cheio de atividades, fora a parte assistencial e emergencial. Esse é um negócio em que acreditamos muito.

Vocês pretendem desenvolver projetos de senior living?
Temos um projeto no Jardim das Perdizes [empreendimento na Zona Oeste da capital paulista] que já está aprovado. Entretanto, é um negócio de renda, como se fosse um condo-hotel. Então, como o business da Tecnisa não é renda, estamos buscando um investidor para esse negócio. Seria um piloto.

Acredita que o projeto de regulamentação dos distratos (PLC 68/2018), votado pela Câmara em junho, possa vir a ser aprovado ainda neste ano?
A tramitação parou na comissão [de Assuntos Econômicos] do Senado. Chance de aprovação tem, mas, a bem da verdade, o distrato preocupa muito menos hoje do que lá atrás. No passado, sabíamos que a pessoa estava distratando porque ela havia comprado por um preço X e o imóvel tinha passado a valer menos. É certo que muita gente perdeu a capacidade de pagar; porém, também existiram muitos compradores que simplesmente optaram pelo distrato. A tendência, agora, com os preços se estabilizando ou até subindo, é de que as pessoas não queiram distratar. Ainda assim, acho importante regulamentar, pois temos de pensar na próxima crise. É importante que esse projeto saia, mas, se não for neste ano, se ficar para o próximo ou até para 2020, já vale. Daqui para a frente, vamos sofrer pouco com o distrato.

Sua família foi uma das primeiras no meio empresarial a se aproximarem do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. Neste momento de reta final da corrida eleitoral, quando todas as pesquisas indicam vitória de Bolsonaro no segundo turno, que perspectivas enxerga para a economia e sobretudo para o setor imobiliário diante do novo governo?
Estamos otimistas em relação ao novo governo. Apoiamos Bolsonaro como família e nunca envolvemos a empresa em nada. Sempre enxergamos nele o candidato que poderia reverter o ciclo de esquerda pelo qual o Brasil passou e que, na nossa visão, é muito danoso para a economia. Não acreditamos no socialismo. Apesar de muita gente falar em machismo e preconceito, tivemos contato com Bolsonaro e não é tanto assim. Pode até ser que ele tenha algum tipo de preconceito ou outro, mas isso não vai virar nenhum tipo de política – até porque, se fosse, não apoiaríamos. Enxergamos que ele é alguém que, em primeiro lugar, sempre foi muito honesto, não tinha nenhuma coligação e não deve favor a ninguém. A equipe que ele vai montar vai ser de pessoas que entendem do assunto. Não vai ser 'Ah, preciso colocar o ministro do partido X porque ele me apoiou'. Com pessoas boas ocupando cargos-chave, tem-se uma maior chance de que o negócio dê certo. Já há um sinal sendo dado, com o mercado reagindo, a Bolsa [subindo] e o desemprego diminuindo. Começamos a entrar num ciclo positivo. Vai ser difícil – e governar é sempre difícil. Existe oposição, a mídia vai bater, mas acho que ele vai fazer o que tem de ser feito.

Você espera ver a efetivação de importantes reformas já no início do governo?
A ideia deles é já sair no primeiro ano fazendo. Se vão conseguir, não sei. A verdade é a seguinte: Bolsonaro é alguém que, nem quando nos oferecemos para pagar um almoço, aceita. Nunca pegou dinheiro de nada. Tem tudo para conseguir fazer o que está querendo. Vemos a reformulação que ocorreu no Senado, na Câmara e nos governos estaduais. Acho que ele vai ter sucesso e precisamos apoiar.
 

Entrevista concedida à editora Giovanna Carnio

 

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