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“Nem home nem office”... Qual modelo prevalece daqui para frente?

Para o CEO das marcas Regus e Spaces, o sistema híbrido veio para ficar

February 10, 2022

Se tem um assunto que virou o centro das atenções no mercado corporativo nos últimos dois anos, é claro que só poderíamos estar falando da dinâmica de trabalho, abruptamente chacoalhada pela covid-19, forçando muitas companhias a se virar da noite para o dia - quase literalmente - para não interromper os negócios.

Frases como “o home office veio para ficar” e “o escritório é fundamental para transmitir a cultura da empresa” foram ditas incansavelmente, e a cada momento parecia prevalecer uma ou outra; fato é que, ainda hoje, a discussão não cessou e um meio termo desponta como o caminho mais provável: uns dias em casa, na praia ou na fazenda, outros no escritório. 

É nesta linha que envereda o livro escrito pelo CEO das marcas Regus e Spaces no Brasil, Tiago Alves, intitulado “Nem home nem office - O futuro do trabalho é híbrido”. Conversamos com o executivo para antecipar algumas das opiniões e tendências expressas na obra, que será lançada este mês. Confira a seguir.

GRI Club: Algumas grandes empresas consideram, em algum momento, retomar 100% do trabalho presencial. O livro "Nem home nem office" sugere que, nestes casos, trata-se de um erro de estratégia e liderança? Por quê?

Tiago Alves: Sim, é um grande erro, pois estamos em um novo momento do mercado de trabalho, especialmente pós-pandêmico. A grande maioria da força de trabalho hoje já conhece as vantagens do home office, e por isso esse benefício passa a ser um fator crucial na decisão de ficar ou não na empresa. 

Dessa forma, acredito que ao implementar o trabalho 100% presencial, haverá uma grande perda de talentos que irão em busca de outras empresas que ofereçam esse benefício de forma mais consistente - e nem falo como sendo no futuro: é um movimento que já está acontecendo. 

GRI: Você define três pilares para a implementação bem-sucedida do trabalho híbrido: comunicação de definições estratégicas, liderança engajada e tecnologia com segurança da informação. Em resumo, de que forma cada pilar viabiliza e contribui para essa nova dinâmica pós-pandemia?

Tiago: Para que o trabalho híbrido ocorra de forma tranquila, tanto para os colaboradores quanto para os gestores, é de extrema importância que todos saibam claramente os objetivos estratégicos da empresa - onde cada um tem a sua missão e deve entender como segui-la. Os famosos "calls eternos" devem ser reduzidos para um breve alinhamento semanal de 15 minutos. Quando a equipe está alinhada e sabe para onde ir, fica mais fácil poder encaminhá-la. 

Dito isso, considero então o forte papel da liderança nesse caminho. Se os gestores não estiverem engajados com as metas e, principalmente, com o time, fica muito mais difícil entender e ajustar o que precisa ser feito. 
 
E para completar esse ciclo, as empresas precisam levar em consideração a segurança das informações - não só de seus clientes, como também internas. Por isso, é sim necessário um forte compromisso na implementação de tecnologias que garantem que esse trabalho, mesmo à distância, possa manter os dados de todos a salvo.  E isso implica, inclusive, na revisão da liberação de acessos e da política de LGPD a ser implementada. 
 
Livro “Nem home nem office” estará disponível a partir deste mês. Foto: Divulgação/Tiago Alves
 
GRI: Acredita que a consolidação do trabalho híbrido terá impacto sobre o mercado tradicional de lajes corporativas? Que impactos serão esses?

Tiago: Com a implementação do trabalho híbrido, as empresas não funcionam no mesmo formato que antes e, por conta disso, os seus escritórios também não precisam funcionar. Isso quer dizer que espaços maiores de monousuários podem ser reduzidos pela metade ou mesmo readaptados para que não sejam mais apenas um espaço de trabalho, mas sim local de encontros e experiências. Ir ao escritório, nesse momento, significa reforçar a cultura da empresa, rever equipe, fazer treinamentos mais práticos e, principalmente, integração. 
 
Sendo assim, o espaço que a empresa pretende ocupar irá depender da forma como ela vai implementar essa integração. Em algumas empresas menores, percebemos que houve uma redução significativa no tamanho do escritório; quando necessária a integração de todos, a empresa prefere alugar um espaço de treinamento à parte, como uma sala de reunião ou mesmo um auditório (pontualmente), representando uma diminuição de custo de operação e capex considerável.
 
Na comparação pré e pós-pandemia, reparamos uma grande mudança de comportamento das empresas. Muitas delas optaram por diminuir os seus espaços e decidiram seguir algumas políticas como rodízio de funcionários, separação por squads ou mesmo deixar a critério de cada colaborador a opção de ir ou não ao escritório. 
 
GRI: Onde entram os coworkings nessa equação?
 
Tiago: Os coworkings e escritórios flexíveis se qualificam muito bem nessa equação justamente pela facilidade de acesso (especialmente na IWG, onde temos um grande número de escritórios espalhados pelo país), e até mesmo na redução desse custo fixo de espaço pago e não utilizado pela corporação. 
 
Outra forma da utilização do coworking se dá através da contratação do produto empresarial "on demand", no qual a empresa oferece aos seus colaboradores o serviço de coworking como um benefício (assim como vale-alimentação e vale-transporte, por exemplo), e sua equipe pode escolher onde prefere trabalhar, ao passo que só há cobrança quando a pessoa utilizar. 
 
A empresa que oferece o serviço ainda se protege de diversas questões que ainda não estão oficializadas pela CLT no formato híbrido, como a garantia de um local adequado de trabalho, dentre diversas outras regras. 
 
GRI: Como você enxerga a dinâmica de trabalho nas grandes corporações daqui a 10 anos?
 
Tiago: Pergunta difícil, pois sabemos muito bem a gigantesca possibilidade de mudança em um período de 2 anos, imagina em 10. Mas acredito que, no geral, as empresas vão passar a entender muito mais a necessidade do colaborador e vão se adequar a essa demanda. 
 
Percebo, inclusive, que no futuro vai ser normal o profissional ser contratado por trabalho, ou mesmo que ele seja oficialmente contratado de uma empresa só, tenha liberdade para atuar em outros ramos, sendo cobrado, portanto, pela sua entrega e performance, e não mais por ter que ficar 8 horas por dia útil 100% dedicado àquele trabalho. 
 
Outra tendência em que acredito é a possibilidade de o colaborador estar em qualquer lugar do mundo, quebrando as fronteiras de hora e local e ganhando mais qualidade de vida e preferência pessoal. Para falar a verdade, nem precisa ser daqui a 10 anos, esse é um movimento que já está acontecendo hoje, especialmente para aqueles que atuam na área de tecnologia, mas acredito que isso também será ampliado para diversos outros setores.

Por Henrique Cisman

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