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Economia Brasileira - Quais cenários podemos esperar para os próximos 12 meses?

5 MIN READAugust 27, 2020
 Em mais um eMeeting promovido pelo GRI Club, líderes do mercado imobiliário brasileiro se reuniram para discutir discutir os cenários que podemos esperar para a economia brasileira nos próximos 12 meses.

2020 será um ano perdido? Juros e inflação em níveis baixos, até quando? Quais as perspectiva econômicas para 2021? Quando o mercado financeiro deve reagir de forma mais significativa? O que as empresas devem observar no período de retomada? Quais os impactos do teto de gastos? O que podemos esperar das reformas econômicas e a ancoragem das expectativas futuras em direção ao crescimento econômico?  Quais os riscos econômicos de uma segunda onda de Covid-19? 

Essas e diversas outras questões foram discutidas na manhã desta terça-feira (25/08) com a participação especial de Eduardo Guardia, CEO do BTG Pactual Asset Management, junto a mais de 90 nomes do setor para compartilhar percepções e experiências. O debate contou com a moderação de André Freitas, Partner & CEO, da Hedge Investments. Confira abaixo os principais pontos discutidos:

Resumo

Com a expectativa de retomada da economia brasileira nos primeiros meses do ano, o mercado imobiliário se preparava para um ciclo positivo de crescimento em 2020. No entanto, ao final de março, essa expectativa mudou, frente ao cenário negativo que o país entrou com a crise do Coronavírus, com impactos nunca antes vistos na economia global. 

Mesmo com esse cenário negativo, que vem afetando todos os agentes econômicos, o país conquistou feitos importantes ao longo dos últimos meses, com a redução da inflação e taxa básica de juros, a Selic, no mínimo patamar histórico de 2% ao ano após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em agosto. Essa perspectiva, que é considerada por muitos como fundamental para um ciclo econômico de crescimento futuro, não pode ser perdida de vista, mesmo com enormes desafios pela frente. 

Um desses desafios, e que vem sendo muito debatido nas últimas semanas, é a consolidação fiscal a partir do endereçamento do teto de gastos, medida que gerou e ainda gera diferentes opiniões de economistas, entre apoiadores e críticos da proposta de 2016 e que está em vigor desde 2017.

Com recuo de 3,8% do PIB em 2015, seguido de uma queda consecutiva de 3,6% em 2016, o Brasil teve sua pior recessão histórica e naquele momento muito se discutiu a condução de políticas econômicas que levassem em conta a diminuição do déficit primário, da carga tributária e da dívida pública brasileira. 

Anos depois, agora em 2020 e com um novo governo, mesmo com o teto de gastos e tentativa de um ajuste fiscal gradual, esse cenário ainda permanece e vem aquecendo o debate econômico, principalmente pela elevação de gastos extraordinários no enfrentamento da pandemia e o consequente aumento da dívida pública esperado para o fim do ano. 

Na visão dos participantes, tal trajetória fiscal, se mantida nos próximos anos, será insustentável para a economia, e caso não seja tratada de forma adequada veremos impactos na manutenção de níveis de inflação e juros atuais. Nesse cenário, muitos economistas se deparam com duas opções de escolha para o país: a primeira, o ajuste fiscal, através da redução de gastos; e a segunda, o aumento da carga tributária, que já é elevada num país como o Brasil.

Nesse cenário de escolhas, somos levados à uma outra dimensão, que é trabalhar na direção de melhora contínua do gasto público. Com um teto de gastos, somos levados a discutir melhores escolhas e não se têm dúvidas que o gasto precisa ser melhorado, não só no Governo Federal, mas também nas esfera estaduais e municipais. Para os participantes, podemos sim atacar as questões necessárias de combate à pandemia, ao mesmo tempo que atacamos a questão do teto de gastos, mas fica cada vez mais difícil com o agravamento das discussões entre fiscalistas e gastadores.

O teto fiscal nesse caso, caminho já traçado, é a âncora das expectativas futuras e nos dá o tempo necessário para enfrentar as reformas econômicas, sejam elas a administrativa ou tributária, amplamentes debatidas e que não virão do dia para a noite. Ao flexibilizarmos o teto e fazermos um ajuste fiscal futuro, perde-se a capacidade de ancorar as expectativas econômicas dos agentes e o compromisso com as reformas. E se não avançarmos em direção desta consolidação fiscal, teremos um problema nos próximos anos. 

Além  do debate do teto de gastos e reformas econômicas, também temos um outro ponto que merece destaque. Dessa vez, o Forward Guidance na última reunião do Banco Central, muito debatido em economias desenvolvidas e que pode trazer benefícios na condução da política econômica futura. O BC, ao comunicar sua visão futura no momento em que chegamos no final de um ciclo econômico com redução da taxa básica de juros, ancora as expectativas dos agentes econômicos em relação ao nível futuro esperado para tal taxa. Esse guidance futuro enfrentará desafios e a essência da discussão passa pelo equilíbrio fiscal e se o Brasil conseguirá manter um nível sustentável nas contas públicas. 

Por Ludwig Menke

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