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E-commerce estimula recuperação de industrial & logística

4 MIN READAugust 07, 2019
Parte fundamental para garantir uma entrega rápida no e-commerce e bastante impulsionado pela evolução desse mercado, o segmento de imóveis industriais & logísticos deve registrar um período de recuperação e expansão pela frente no Brasil. O ramo de vendas online tem evoluído ano a ano rumo a maiores maturidade e representatividade no País. Entre 2018 e 2019, o número de lojas virtuais subiu 37,59%, aponta o estudo 'Perfil do e-commerce brasileiro', realizado por BigData Corp e PayPal Brasil.
 
Os dados, divulgados em julho, ressaltam a aceleração de ritmo versus os 9,23% registrados em 2016 e 12,5% em 2017. "As lojas online estão mais confiantes em ofertar itens mais caros: 25,96% dos itens expostos em suas vitrines virtuais são de produtos que custam mais de R$ 100,00 [valor médio dos sites]. Com isso, a categoria de produtos entre R$ 100 e R$ 500 cresceu cerca de 5 pontos percentuais, de 6,45% no ano passado para uma participação de 11,30%", diz a companhia de pagamentos. De acordo com a análise, que é parte de uma série histórica realizada desde 2014, o aumento do tíquete médio dos produtos é um sinal de que o negócio atingiu maturidade.
 
"Obviamente, o e-commerce continuará crescendo em representatividade. Se comparamos o Brasil a outros mercados globais, o País ainda está sub-representado. O comércio eletrônico tem um potencial de crescer a um ritmo mais elevado do que o varejo", opina Mauro Dias, presidente da GLP Brasil.  Ele conversou com o GRI Hub logo após o Mercado Livre anunciar o investimento de  R$ 3 bilhões no País – parte desse montante destinada a operações logísticas, incluindo instalações da GLP.
 
Fernando Terra, diretor de Industrial & Logística da CBRE para América Latina, também vê oportunidades no atendimento a esse tipo demanda. "Creio que o varejo, de uma forma geral, é o grande driver [do segmento de galpões logísticos] através de operações de e-commerce [nos próximos meses]", diz. 

Contexto adverso

Thiago Chueiri, diretor de Desenvolvimento de Negócios do PayPal Brasil, entende que o êxito do e-commerce se deve em parte à cultura local, especialmente em um cenário de adversidade. “A explosão no número de lojas online no País reflete a boa perspectiva do e-commerce e o perfil empreendedor do brasileiro mesmo frente a cenários econômicos não tão promissores", aponta, em nota. 

Nesse ambiente, de lenta recuperação econômica, empresas cada vez mais jovens vêm conquistando espaço. É o caso da Loggi, que se tornou o mais novo unicórnio brasileiro – como são chamadas as startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais. 
 
Conhecida como o 'Uber das entregas', a Loggi conecta fornecedores e clientes e realiza a logística de cada solicitação, de serviços de escritório a delivery e outras compras. Com espaços pulverizados – incluindo cross dockings, mini-hubs e pontos de coleta localizados dentro das cidades e também nas zonas periféricas –, a companhia apostou em um novo modelo de negócio no segmento de industrial & logística

Para players que elegem a startup, além da agilidade nos serviços, pesa a disponibilidade de tecnologia. "Quando se trabalha com um prazo de entrega menor, a integração e o aviso de entrega fazem sentido ao cliente final, que quer acompanhar o processo [em tempo real]", explicou Thibaud Lecuyer, CEO e fundador da Dafiti

Sobre o potencial dos negócios em ambiente virtual e como manter uma companhia sadia em um contexto desafiador, Lecuyer enfatiza a importância de processos internos bem gerenciados e de parceria com todo o ecossistema envolvido. "O diferencial da Dafiti é a gestão. Não temos um padrão, ou seja, sempre podemos inovar e ver o que podemos fazer melhor", entende ele.

Da first à last mile

Considerada até pouco tempo atrás um dos principais desafios a superar, a last mile – como é conhecida a etapa final do ciclo de entrega – não é mais necessariamente o centro das preocupações. Nesse sentido, Thibaud Lecuyer ressalta que é preciso entender todo o ciclo e não apenas as etapas.

"A questão da mudança da cadeia logística impacta o transportador e também os varejistas, o e-commerce. Agora, temos que procurar nas cidades e, no interior [um local de armazenagem], trazer um hub transportador para, de lá, enviar ao consumidor final. A necessidade de grandes centros de distribuição vai ser cada vez menor no futuro. [Em contrapartida,] serão necessários cross dockings pequenos, focados no interior [das cidades]", analisou. 

Por sua vez, Andreas Blazoudakis, fundador e CEO da Delivery Center Holding, o termo da vez é first mile, por colocar o usuário no centro da experiência. É o que o negócio que comanda busca, ao instalar centros de distribuição dentro de shopping centers. "O shopping está em um CEP e vai entregar a alguém que está na primeira milha; então, a eficiência é muito grande. O usuário sabe que um hambúrguer chega em 40 ou 50 minutos, mas nunca imaginou que pudesse ocorrer o mesmo com um tênis, e a preço de hambúrguer, por R$ 10 [de taxa de entrega]. É um modelo meio mágico", comentou. 
 

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