O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e o presidente da República Popular da China, Xi Jinping | Crédito: Palácio do Planalto, Adnilton Farias/VPR
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Visita de Mourão pode ser aceno esperado por chineses

3 MIN READMay 29, 2019

Encerrada na última sexta-feira (24 de maio), a visita de seis dias do vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, à China teve como objetivo ressaltar a relevância dada pelo novo governo do País à relação bilateral. O futuro da parceria, de acordo com ele, é "extremamente promissor". A viagem também pode ser interpretada como um aceno positivo a players de infraestrutura asiáticos, que vêm acompanhando com cautela o posicionamento da gestão Bolsonaro no que toca aos laços Brasil-China.

Logo após a vitória de Jair Bolsonaro, ainda em 2018, Alan Fernandes, presidente do Haitong Banco de Investimento do Brasil, expressou que "no primeiro momento, houve uma preocupação maior sobre como seria a receptividade ao capital chinês [pela nova administração brasileira]".

"Por parte das empresas chinesas, o Brasil é um mercado essencial e estratégico. Os investimentos seguem ocorrendo e há uma continuidade do interesse; porém, com cautela, pois ainda não está totalmente claro como será feita a atração [por parte do Brasil] do capital chinês", reiterou Fernandes recentemente, ao ressaltar a necessidade de pragmatismo na posição institucional do País.


Maior aproximação

Embora discreta, a visita de Mourão pode se traduzir nesse gesto tão esperado. "É um período extremamente significativo. Ao longo de todo esse tempo, nosso relacionamento só fez se estreitar e se aproximar cada vez mais", disse o vice de Bolsonaro ao recordar que, em 2019, as duas nações completam 45 anos de relações. Ele fez à declaração em entrevista exclusiva à rede local Xinhua.

Na agenda de Mourão em Pequim, estiveram a 5ª reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), com a presença do vice-presidente chinês, Wang Qishan, e o encontro com o líder da nação asiática, Xi Jinping.

Estabelecida em 2004, a Cosban era considerada o principal mecanismo de coordenação das relações bilaterais. A comissão havia sido desativada em 2015 e foi retomada com a visita do vice-presidente.

"Ao retornar [ao Brasil], vamos apresentar um relatório ao presidente [Bolsonaro] e também iniciar um cronograma para que os ministérios deem resposta ao que foi acertado aqui, para não ficar somente na conversa. Essa é minha grande preocupação”, disse Mourão, em entrevista a jornalistas brasileiros na capital chinesa publicada pela Agência Brasil.

Para executivos asiáticos, a viagem de Bolsonaro, confirmada para os dias 3 a 10 de agosto e que incluirá escalas em Pequim e Xangai, é outra mensagem em direção ao bom direcionamento das negociações. "São demonstrações de que as oportunidades estão bem estruturadas, mas ainda precisamos garantir a questão da segurança regulatória, de que não haverá mudanças", enfatizou Alan Fernandes, do Haitong, no início deste mês.

De acordo com a Xinhua, atualmente, o volume de investimentos chineses no Brasil ultrapassa os US$ 70 bilhões. No ano passado, a troca comercial bilateral superou os US$ 100 bilhões.


Infraestrutura brasileira e Belt & Road Initiative

Outro tema abordado na conversa de Mourão com a agência oficial chinesa foi a participação do Brasil na Belt & Road Initiative (Iniciativa do Cinturão e Rota, em tradução livre para o português). "Estamos abertos a discutir o assunto", declarou ele.

"Julgo que, na área de infraestrutura, tudo aquilo que puder ser feito para facilitar o comércio entre os dois países atende os objetivos do Cinturão e Rota", continuou ele.

Mourão também aproveitou a oportunidade para promover entre os chineses o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), com oportunidades em diferentes frentes da infraestrutura nacional, incluindo rodovias, ferrovias, terminais portuários, aeroportos, energia e petróleo e gás. "São áreas onde a China tem expertise e pode cooperar e ter espaço dentro do nosso País para atuar."

A Belt & Road Initiative é uma ambiciosa estratégia global promovida pela China e que envolve o desenvolvimento do setor de infraestrutura em mais de 150 nações em todo o mundo, tendo como objetivo, entre outros pontos, melhorar as conexões comerciais da Ásia com os demais continentes. Participam da iniciativa países e diversas organizações internacionais.

Com o objetivo de promover o diálogo e o intercâmbio de experiências e oportunidades no setor de infraestrutura entre executivos e companhias de China e América Latina, o GRI Club Infra firmou uma parceria com a Belt and Road Service Connections (BNRSC), uma iniciativa do governo chinês.

Por meio do acordo de cooperação assinado, as duas organizações se comprometeram a formar o China-Latam Think Tank, plataforma que promove reuniões periódicas e que inclui comitês com representantes bilaterais, visando debater formas para aportes os investimentos chineses na região latino-americana. A primeira reunião foi realizada em 20 de março.

 

GRI China-Latam Summit & Week



Também em agosto, membros do GRI Club Infra e autoridades latino-americanas vão a Pequim e a Xangai para a segunda edição do GRI China-Latam Summit & Week 2019. No encontro e ao longo da semana, serão analisadas oportunidades de investimento, fusões & aquisições e colaboração com players chineses.
Conheça a programação.  

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