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Chineses acompanham com cautela postura do Brasil

Cenário mostra esforço do governo em manter as relações com a China, que já demonstrou intenção de ampliar laços.

5 MIN READ May 09, 2019
  

Na mesma semana em que o Brasil foi excluído do ranking da consultoria A.T.Kearney de países mais confiáveis para investimento estrangeiro, o embaixador chinês no País, Yang Wanning, demonstrou ver oportunidades para ampliar as relações comerciais bilaterais. Na última terça-feira (07 de maio), o diplomata chinês reiterou o interesse pelo Brasil e o aprofundamento das relações. Em meio a esse contexto, players da nação asiática avaliam que o momento é de cautela, à espera de um posicionamento brasileiro mais claro e objetivo no que tange à política externa.

"Desde que assumi o cargo de embaixador da China no Brasil [em janeiro de 2019], tive muitas reuniões com funcionários do novo governo, inclusive com o presidente [Jair Bolsonaro] e o vice-presidente [Hamilton Mourão]. O presidente me manifestou uma boa vontade de expandir a cooperação para todas as áreas [da economia] com a China e, sobretudo, já anunciou que vai fazer uma visita oficial neste ano. Acredito que, com essas questões, vamos fortalecer e promover pautas rápidas de cooperação entre os dois países", afirmou o representante diplomático ao participar, nesta semana, de um seminário realizado pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Embora Bolsonaro tenha assumido o governo com declarações polêmicas quanto à nação oriental, esforços pela manutenção das relações têm sido mantidos. “[O comércio com a China] vai melhorar com toda a certeza. Queremos nos aproximar do mundo todo, ampliar nossos negócios e abrir nossas fronteiras”, declarou o presidente em março, após receber a carta credencial diplomática do embaixador Yang Wanming.

“O Brasil é o sócio principal da China, tanto político quanto econômico e comercial. Por isso, a reforma e a mudança da instituição política e econômica no Brasil vão representar mais oportunidades de negócio com a China”, disse Bolsonaro em conversa com jornalistas. À ocasião, o chefe de Estado brasileiro confirmou viagem à China no segundo semestre deste ano, mas ainda não há uma data oficial.

Expectativa de pragmatismo

Atentos a esses movimentos, players da nação asiática ainda aguardam garantias concretas e uma postura institucional sólida, incluindo segurança regulatória e maior objetividade do governo do Brasil em relação aos chineses.

"Por parte das empresas chinesas, o Brasil é um mercado essencial e estratégico. Os investimentos seguem ocorrendo e há uma continuidade do interesse; porém, com cautela, pois ainda não está totalmente claro como será feita a atração [por parte do Brasil] do capital chinês", declarou Alan Fernandes, presidente do Haitong Banco de Investimento do Brasil. Ele concedeu entrevista ao GRI Hub logo após participar do GRI Unique Dinner - L'Opera Creativa, evento que marcou o início do GRI Unique, nova divisão do GRI Group.

"Podemos esperar algumas mudanças no relacionamento como um todo. Espera-se pragmatismo por parte do governo e que haja a percepção de que a origem do capital não venha a ser um tema que irá causar qualquer tipo de segregação", continuou o executivo, reforçando a mensagem expressa anteriormente, no final de 2018, à equipe de reportagem do GRI.

Apetite chinês

Sobre o impacto das relações bilaterais – por vezes estremecidas por contundentes declarações do chefe de Governo brasileiro e por sua aproximação aos Estados Unidos – nos negócios, Alan Fernandes nota um aceno ao gigante asiático.

"Não há dúvidas de que há oportunidades econômicas [no Brasil]. A viagem do presidente Bolsonaro à China deve ocorrer em agosto e a reunião dos Brics [grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], em [13 e 14 de] novembro, em Brasília, com a presença do mandatário chinês [Xi Jinping]. Essas são demonstrações de que as oportunidades estão bem estruturadas, mas ainda precisamos garantir a questão da segurança regulatória, de que não haverá mudanças", continuou.

Nesse contexto, o representante do Haitong confirma que há uma visão cuidadosa por parte dos chineses "em relação ao posicionamento [institucional] em geral, incluindo o aspecto político, de relacionamento, visão e [possíveis] comentários que sejam mais duros ou depreciativos a respeito do modelo político do país A, B ou C. As companhias chinesas olham o todo, não apenas o investimento".

Competição com vizinhos

Outro ponto abordado por Alan Fernandes é o fato de a economia ser globalizada e o Brasil enfrentar outros concorrentes na busca por investimentos estrangeiros. "Quando se compete com um país que dá maior segurança, mais previsibilidade do comportamento econômico, é preciso oferecer uma economia cada vez mais integrada, com menos fatores de riscos. Hoje, há países competindo conosco, como o Peru [mesmo com os recentes ocorridos nesse país], o Panamá e o México."

Para o executivo, a reforma da Previdência é fundamental para atrair o aporte asiático e também de outras partes do mundo. "A partir disso, tem-se uma redução do tamanho do Estado e do déficit público, maior possibilidade de a economia voltar a crescer e o mercado interno vai demandar melhoria de infraestrutura, o que significa novos investimentos."

"Também a reforma tributária é essencial, pois facilitará a vida do investidor estrangeiro. É quase impossível explicar o sistema tributário atual para um player estrangeiro, seja ele chinês ou de outras nacionalidades", complementou.

Outra estratégia de diálogo é a visita do vice-presidente, Hamilton Mourão, à China, prevista para o fim de maio. Ele viaja ao país em busca de novos investimentos e negociações de projetos de infraestrutura, incluindo rodovias, ferrovias e portos. Não há detalhamentos oficiais da viagem, mas se estima que ele se reunirá com seu correspondente chinês, contraparte Wang Qishan.

"Já há investimentos [chineses] em energia, e os setores ferroviário e de portos interessam. Também observamos algumas consultas em saneamento e no waste-to-energy (WtE), que é tratamento de energia para cogeração. Esses são os setores que despertam maior interesse e apresentam grande atratividade", concluiu Fernandes.
 

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