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A tecnologia pode prevenir desastres como o de Brumadinho?

3 MIN READJanuary 31, 2019
O recente desastre socioambiental em Brumadinho, juntamente com diversos alertas de possíveis novos rompimentos em barragens na região, acendeu um sinal amarelo: desastres como esse poderiam ser evitados? Essa questão já havia sido posta há cerca de três anos, em episódio semelhante vivido em Mariana, e até hoje gera dúvidas, particularmente no aspecto de se e como a tecnologia poderia ajudar a impedir ou ao menos minimizar catástrofes dessas proporções.

A resposta é sim – sob múltiplos ângulos. Estamos hoje cercados de tecnologias que vêm se desenvolvendo e revolucionando diversas áreas, aportando soluções para auxiliar na criação e na gestão de inúmeras atividades. 

Olhando para o caso específico das barreiras rompidas em Minas Gerais, os drones, por exemplo, são uma da tecnologias com grande potencial para fazer real diferença. Isso porque avançaram fortemente nos últimos anos, viabilizando a inspeção de ativos de forma rápida e eficiente e possibilitando detectar inconformidades e riscos com antecedência – portanto, abrindo caminho para encontrar e implementar saídas eficazes.

Como algumas vantagens no uso de drones, podemos citar a captura de imagens com altíssima resolução, somando o uso de visão computacional e inteligência artificial, que podem ajudar na identificação de falhas estruturais com precisão sobre-humana. Como exemplos, vale lembrar da câmera Hasselblad A6D-100C, que pode capturar imagens com resoluções de até 100MP, e o sensor Zenmuse Z30, da DJI, com zoom combinado que pode chegar a até 180x.

Além de precisão centimétrica, rapidez e eficiência no processamento das imagens, os drones podem se utilizar dos mais variados e acurados sensores. No caso de barragens, inspeções de rotina com sensores termais, por exemplo, poderiam apontar áreas com indícios de vazamento e gerar alertas para funcionários e comunidades próximas. Já imediatamente após um episódio de rompimento, esses mesmos sensores poderiam ser empregados para apoiar o processo de encontrar vítimas, a partir da identificação de temperaturas não homogêneas ao barro. Podemos citar aqui, por exemplo, o sensor termal  Zenmuse XT2, também da DJI.

Ademais, com o avanço de sensores conectados, oriundos de iniciativas ligadas à IoT (Internet das Coisas), outros dispositivos de monitoramento contínuo - tanto para barragens como outros tipos de ativos - podem ser adotados, ligados a sistemas de alerta, com sinais sonoros e visuais. Entra nesse rol, entre outros, o uso de acelerômetros e inclinômetros, que, combinados com imagens de precisão centimétrica e sistemas de gestão e controle, podem mostrar até mesmos leves indícios de movimentações de terrenos.

Combinar forças e tecnologias é essencial para avaliar criteriosamente ativos, sobretudo os que envolvem maior complexidade. Lembremos que até Israel está aportando tecnologia no caso de Brumadinho, trazendo na bagagem diversos equipamentos para auxiliar nas buscas de vítimas – a exemplo de sonares.

O uso da tecnologia, obviamente, não está restrito à esfera física. Nesse episódio de Brumadinho, outras iniciativas têm sido observadas. Por exemplo, nas redes sociais. Imediatamente após o desastre, foram criados grupos (espécie de 'war rooms') reunindo profissionais envolvidos na gestão de crise (altos executivos, gerentes de projeto, médicos, enfermeiros, epidemiologistas etc.) para compartilhar e discutir informações (mapeamento por satélite, fotografias de grande espectro, inteligência artificial, análise de dados, processamentos via supercomputadores etc.) e traçar estratégias de ação.

Entre incontáveis iniciativas que estão sendo divulgadas nas redes sociais, uma delas, apelidada de 'Brumadinho Location', chamou especialmente a atenção. Voluntários da comunidade de tecnologia da informação criaram a primeira versão de uma ferramenta para inserir latitude e longitude dos celulares do desaparecidos e, com base no fluxo de rejeitos, estimar a possível localização das pessoas. O algoritmo está em constante aperfeiçoamento. A ideia é ampliar os dados usados – dados físico-químicos do rejeito, mapa topográfico do local, simulação do rejeito se espalhando etc.

Enfim, poderíamos mencionar aqui muitas outras tecnologias, mas esses exemplos já deixam claro o papel que elas têm tido nesse caso específico e em muitos outros. O potencial da tecnologia é absolutamente transformador e promete revolucionar a sociedade e a economia, trazendo inovação, soluções e saltos de eficiência, em benefício de projetos dos mais variados segmentos.

Foi justamente essa a percepção que levou o GRI Club a criar o GRI Tech Club há um ano, e tem sido esse nosso esforço, reunindo, num mesmo clube global, as startups mais inovadoras para trocar experiências entre si e com grandes empresas, buscando formas de evolução cada vez mais acelerada e conjunta, com benefícios amplos a todos os envolvidos. Você é muito bem-vindo a conhecer mais sobre o trabalho do GRI Tech Club e das startups que estão fazendo e farão diferença no mundo nos próximos anos.

Por Rodrigo Branchini, diretor do GRI Tech Club
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