Fachada do Congresso Nacional/ Crédito: Leonardo Sá/Agência Senado
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UBS defende reformas estruturais para avanços significativos

3 MIN READFebruary 28, 2020
Considerados motores da economia brasileira, os setores imobiliário e de infraestrutura devem manter a curva de crescimento em 2020, com perspectivas de resultados melhores em relação ao ano anterior. Porém, reformas estruturais como a administrativa – atualmente em debate no Congresso Nacional – são essenciais para avanços significativos e perpetuidade das taxas de incremento. A avaliação é de especialistas do UBS Brasil.   

Ao explicar a revisão das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, realizada pela instituição financeira no início de fevereiro e que passou de 2,5% a 2,1%, Tony Volpon, economista-chefe da instituição financeira, alertou para a necessidade de reformas estruturais no País. Junto ao economista Fábio Ramos, também do UBS, ele participou de um club meeting multisetorial promovido pelo GRI Club em 19 de fevereiro.

Sobre a perspectiva brasileira de diminuição de crescimento para o ano, resultante das projeções traçadas pelo organismo financeiro para a China e os impactos do coronavírus a essa nação, Volpon esclareceu que, ademais do potencial reflexo da doença, um verdadeiro risco para o Brasil – incluindo indústrias como real estate – seria a não aprovação de temas estruturais, a exemplo da proposta de emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que estabelece gatilhos para cortes de gastos públicos. 

Perspectivas para infraestrutura

No mesmo direcionamento, Fábio Ramos explica o impacto de medidas como essa para um melhor ambiente de negócios e, consequentemente, potenciais inversões no mercado de infraestrutura. "No dia a dia, a reforma [administrativa] tem um impacto mínimo; mas no longo prazo, na visão de uma agência de classificação de risco, por exemplo, a percepção de que você vai ter as contas ajustadas é como se você já vivesse essa realidade", contextualiza. 

"Se o Brasil fosse grau de investimento, por exemplo, fundos de pensão – que hoje não investem no País – poderiam investir aqui. Na prática, contabilmente, vai entrar mais ou menos dinheiro [por conta da classificação de risco]", complementa o especialista.

Sem reformas estruturais, os economistas já projetam um cenário melhor. Para o próximo ano, a entidade financeira elevou suas estimativas, passando de 2,5% para 2,8%.

Novo corte da Selic

Outro tema abordado foi a perspectiva em relação à taxa básica de juros. Tony Volpon acredita em uma nova diminuição. "Creio que a Selic vai a 4%", diz. 

"Há uma discussão sobre a possibilidade de o Banco Central (BC) colocar [ou não] a taxa de juros em termos reais negativos [...]. Diferente do que [projetam] outros especialistas do mercado, nós achamos que haverá um corte adicional", estima. 

Igualmente, o UBS prevê uma nova queda da taxa de juros nos Estados Unidos. A análise da instituição havia sido realizada antes da epidemia da doença batizada de Covid-19 e registrada pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan. 

Segundo Volpon, entre outros pontos, a desaceleração econômica global fortalece a visão da companhia de um corte adicional da taxa básica de juros, o que atenuaria o impacto do choque proveniente da China. 

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta quarta-feira (26 de fevereiro), a expectativa é de que a taxa básica de juros se mantenha nos atuais 4,25%, menor patamar já registrado. O Relatório de Mercado do BC também revisou para baixo a estimativa do PIB –  de 2,23% para 2,20%, em 2020. Para 2021, a previsão é de 2,50%, mesma porcentagem prevista para 2022 e 2023.

Potencial dos fundos imobiliários

A queda da taxa de juros a uma marca nunca registrada no Brasil impulsiona também o mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs). "Na medida em que essa diminuição é percebida como permanente, tudo muda. Quando há uma queda estrutural de juros há impactos nos valores desses projetos e ativos", contextualiza Tony Volpon

"Na verdade, estamos trilhando o caminho [consolidado] de outros mercados, já reconhecido lá fora e que não trilhamos antes porque tínhamos esses juros absurdos por décadas", continua o economista-chefe do UBS.

Ele recorda ainda o momento propício para o desenvolvimento institucional dessa indústria. "Da parte regulatória, temos também um  Banco Central disposto a desenvolver esse mercado e de desenvolver mais o produto de home equity", pontualiza. 

Tony Volpon e Fábio Ramos falaram com a equipe do GRI Hub ao participarem do encontro do GRI dedicado ao tema 'Coronavírus e seus possíveis impactos na economia brasileira'. A reunião ocorreu na sede do banco suíço em São Paulo, com a presença de players dos setores imobiliário e de infraestrutura.

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