Tim Lucas, especialista em inovação
Crédito: GRI Club/Flavio Guarnieri
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Conheça o modelo de inovação defendido por Tim Lucas

5 MIN READAugust 29, 2019
Resolver o problema de uma pessoa, aprender com ela e então dar escala à solução identificada, adotando-a para grupos maiores. Esse é o modelo de inovação defendido por Tim Lucas, referência global em inovação, transformação digital, economia comportamental e antropologia do consumo.

"O problema que vejo nas empresas é querer começar fazendo algo novo já para muita gente", diz ele, que é líder de Negócios da Hyper Island – escola sueca, com presença global, de inovação digital com foco no desenvolvimento pensamento criativo –, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), PhD em Antropologia pela Universidade de Sheffield e consultor com experiência em grandes empresas no Brasil, no Reino Unido e nos Estados Unidos. 

Lucas fez uma apresentação durante o '
GRI Unique Dinner – Innovation from the Edges', evento organizado pelo GRI Unique em 22 de agosto em São Paulo. Na ocasião, citou exemplos que sustentam a relevância dessa visão, como o da criação do conceito de quiet hour (hora silenciosa, em tradução livre), adotado amplamente por supermercados europeus. 

Cases que sustentam essa tese de inovação

A ideia do momento silencioso surgiu a partir de um caso extremo: a experiência de um menino autista que se sentia altamente incomodado no ambiente conturbado e barulhento de uma loja cheia de consumidores. Veio então a percepção de que replicá-la atenderia as necessidades ou os desejos de um público bem mais amplo. "Hoje, na Europa, esse conceito se tornou uma commodity", constata Lucas.

Da mesma forma, aprendizados frente às demandas de uma pessoa cega já puderam resultar em aplicação junto a indivíduos com problemas oculares mais brandos ou simplesmente distraídos. Da vivência de um amputado, lições serviram àqueles com mobilidade temporariamente reduzida – um braço quebrado e engessado, por exemplo. 

Tim Lucas evocou ainda cases de negócios disruptivos, como o do Airbnb – iniciado por dois amigos que não tinham dinheiro para pagar o aluguel e, tendo resolvido o próprio problema, conseguiram dar escala à saída encontrada – e de grandes companhias. Entra aí a rede de móveis e decoração Ikea, que hoje disponibiliza produtos para download e impressão 3D, buscados sobretudo por idosos ou casais com filhos pequenos, mas criados por conta da necessidade de pessoas com deficiências que se sentiam excluídas dentro de suas próprias casas, sem conseguir fazer uso de seus objetos. "O que se identifica junto a pessoas nos extremos se aplica a um grupo maior", reforçou ele.

Diversidade nas equipes

O especialista defende que, para estarem aptas a inovar nesse modelo, as empresas sigam dois passos fundamentais. Um deles é analisar indivíduos foram do mainstream. "A inovação, a criação de coisas diferentes vem de pessoas com comportamentos diferentes, necessidades diferentes", afirma.

A segunda dica é compor equipes marcadas pela diversidade, a fim de agregar olhares variados e potencializar a percepção de oportunidades. Jovens, por exemplo, costumam olhar o mundo com menos barreiras e preconceitos. Antropólogos, por sua vez, têm habilidade para notar comportamentos e formas de interação com produtos e serviços, atentando-se a elementos que poderiam passar despercebidos a outros observadores.

"O ser humano julga o tempo todo, e precisamos ter a capacidade de questionar esses julgamentos. Daí a importância de ter interpretações diferentes nas equipes, agregando diversidade cognitiva. Se todos os membros de um time tiverem a mesma interpretação, a empresa terá problemas", analisa Tim Lucas. 

E ele lembra: cada tecnologia traz novos comportamentos, desejos e oportunidades. "A máquina nunca poderá prever futuros desejos dos seres humanos, pois eles sempre mudam. Consequentemente, a inteligência artificial terá sempre um elemento muito humano", adiciona. 

Pré-julgamentos equivocados

Em sua apresentação no GRI Unique Dinner, Tim Lucas deu também um exemplo pessoal de pré-julgamento equivocado. Ao se deparar com o videogame online Fortnite, que virou febre global, principalmente em meio a adolescentes, de imediato pensou se tratar de algo bobo, mas então decidiu entender de que se tratava. 

"Um jogo estúpido ou o futuro do entretenimento, no qual as pessoas vão interagir?, questionou-se. "É muito mais do que eu imaginava. Para jogar, é preciso reunir grupos de pessoas que não se conhecem e resolver problemas em conjunto", explica.

Diversos negócios já chegaram à mesma conclusão. Lucas conta que, nos últimos tempos, diversas marcas elegeram o Fortnite como plataforma para lançar seus produtos. Uma nova profissão apareceu, a de treinadores especializados no game que vêm sendo contratados por pais para instruir seus filhos. Certas universidades passaram a conceder bolsas de estudos aos melhores jogadores, ajudando-os a pagar a faculdade. E existem companhias que incorporaram a avaliação de desempenho no jogo como requisito em processos seletivos de candidatos às suas vagas de emprego. "Como o Fortnite vai impactar o seu negócio?", perguntou à plateia, estimulando a reflexão.

Além dessa, ele deixou diversas outras questões com o propósito de gerar inquietação entre os líderes empresariais presentes ao jantar. "Quantas vezes no dia a dia resolvemos tudo rapidamente? Como seres humanos, somos incríveis em identificar o problema, mas que tempo dedicamos para ir mais a fundo nele?", provocou.

 

GRI Unique

O próximo evento do GRI Unique já tem data marcada. Será um jantar em 28 de novembro, seguido de outros encontros ao longo de 2020, cada um deles focado numa temática específica e voltado a proporcionar uma combinação equilibrada e produtiva de relacionamento e experiência.  

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