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Biofilia é tendência para escritórios nos próximos anos

Trazer natureza para dentro do ambiente corporativo promove bem-estar e produtividade, afirma diretor da It's Informov.
4 MIN READMay 03, 2019


Uma das grandes tendências para o segmento de escritórios nos próximos anos promete ser a biofilia, buscando trazer a natureza para dentro do ambiente corporativo, em busca de maior bem-estar dos ocupantes e ganhos de eficiência, analisa Murilo Toporcov, diretor executivo da It's informov, escritório de arquitetura, engenharia e design.

"Está comprovado que essas questões sensoriais e o modo como as pessoas se relacionam [com o entorno] aumentam a produtividade. As empresas que inovam precisam de uma estrutura propícia a tanto", afirma ele. Acompanhe a entrevista, concedida pouco antes do início do GRI Unique Dinner – L'Opera Creativa, em que o executivo aborda essas e outras tendências do mercado imobiliário, passando pelo co-working, pelo student housing e pelo retrofit:


Qual o peso da criatividade e da inovação, temas do GRI Unique Dinner – L'Opera Creativa, no trabalho da It's Informov? Como esses conceitos se convertem em prática?
Nossa empresa nasceu da inovação. Começamos com os segmentos de informática e móveis – um dos nossos principais produtos eram porta-disquetes –, fomos escutando o cliente ao longo dos anos, trazendo novidades e mudando. Hoje, aos 27 anos, somos uma das principais companhias do mercado de engenharia, arquitetura e design, principalmente corporativo, e, quando se fala em projeto arquitetônico e design, fala-se de criatividade. É ela que vira o jogo, viabiliza o projeto, conquista o cliente. No mercado atual, o sinônimo de criatividade é disrupção.

Muitos players apontam tendência de expansão dos projetos de retrofit no País nos próximos meses e anos. Como tem sido a demanda por esse tipo de projeto na It's Informov? Vem se acelerando?
Sim, muito, e é o caminho. Fazer isso acontecer necessita de um equilíbrio entre muita criatividade e técnica, pensar em uma ideia que seja exequível e viável em prazos curtos. Recentemente, transformamos um prédio de escritórios em hospital. Outro exemplo do que fizemos é a nova sede do iFood em Osasco, retrofitando um edifício que estava desativado e convertendo-o num projeto inovador.

Essa busca por retrofit tende a se manter em alta nos próximos meses e anos?
Acredito que vai continuar se acelerando. O próprio centro da cidade [de São Paulo] tem uma grande oportunidade para tanto. Começamos a ver algumas movimentações, como o Farol Santander [fruto do retrofit do edifício Altino Arantes], e quantos prédios antigos há no centro? Existem normas [de segurança] a cumprir, tem de ficar bonito e há questões a administrar, como a da eficiência energética. Por exemplo, nas fachadas, os vidros antigos não têm filtro térmico, o que acaba criando dificuldades de custo. Há que se procurar os melhores prédios. Estamos num momento em que os olhos dos investidores estão abertos a isso e buscando escolher os melhores produtos a serem transformados, de modo que a conta feche.

Murilo Toporcov
Murilo Toporcov (It's informov) | GRI Club/Flávio Guarnieri

Como tem sido a experiência de realizar diversos projetos de co-working?
Somos a empresa que fez mais unidades para a WeWork [no Brasil]. Também realizamos o [inovabra] habitat, do Bradesco, e o novo Cubo [Itaú], sites de inovação desses dois grandes bancos. Atuamos ainda na Plug e no Distrito. O que não pode faltar nesses projetos é realmente a criatividade. Estudamos e tentamos entender o cliente, sua personalidade, sua forma de trabalho, como se relaciona. Não adianta vir com uma sugestão e a cultura da empresa não estar preparada ainda para uma ideia dos millennials. É preciso compreender o timing e para onde a companhia quer ir. Nós nos sentamos com um grupo de trabalho do cliente – não apenas o presidente –, fazemos um brainstroming, uma análise para identificar como se vê lá na frente, e aí tentamos acompanhar isso com a estrutura. O design acaba sendo uma segunda etapa.

No campo dos escritórios, que tendências devem dominar os projetos nos próximos anos?
Uma das principais tendências é questão da biolifia, ou seja, trazer a natureza pra dentro do escritório. Promove-se bem-estar e uma série de cuidados que vão impactar o comportamento e o emocional de quem está lá dentro.

Esse foi um dos pontos abordados pelo arquiteto Carlo Ratti em club meeting promovido pelo GRI Club em parceria com a It's Informov no ano passado...
Exatamente. Ele é um 'papa' desse tema. Está comprovado que essas questões sensoriais e o modo como as pessoas se relacionam [com o entorno] aumentam a produtividade. As empresas que inovam precisam de uma estrutura propícia a tanto.

Vocês têm atuado em projetos que incorporam também outras tendências do mercado imobiliário, como o student housing. Quais os principais desafios encarados no empreendimento que executaram junto ao Insper?
O desafio ali foi transformar um andar de um ambiente que era corporativo, laje aberta, e criar quartos, cada um com seu banheiro, o que envolveu questões de hidráulica para as quais o edifício não estava preparado. Foi praticamente criar um mini-hotel, e com prazo agressivo. Na própria hotelaria, retrofitamos o InterContinental da Alameda Santos com o hotel se mantendo ocupado. Promovemos uma grande intervenção com barulho, sujeira e timing sob controle rígido. Tïnhamos que fazer cada andar, com oito suítes, em 20 dias.

Por que se decidiram pela parceria com GRI Unique?
Estamos junto ao GRI há alguns anos. Vimos crescendo nossa participação, por perceber que o GRI nos proporciona inserção no contexto dos principais players do mercado. Esse é um canal muito importante para podermos ter portas abertas para projetos como esses sobre os quais comentei.

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